Permanece sem qualquer desfecho a solicitação encaminhada no final de julho pelo diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues, ao advogado-geral da União, Jorge Messias. O chefe da corporação cobrava que a Advocacia-Geral da União (AGU) contestasse judicialmente as determinações do ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), no âmbito da Operação Sem Desconto — apuração que debruça-se sobre desvios em proventos do INSS. Entre as medidas impostas pelo magistrado está a proibição de que os investigadores compartilhem elementos sigilosos da causa com o comando central da PF.
Messias, contudo, decidiu não intervir na ação. A avaliação interna é de que qualquer contestação institucional com base em supostas ingerências na apuração poderia criar precedentes para que as defesas dos suspeitos pleiteassem a anulação do inquérito. A apreensão aumentou após o relatório apresentado pelo ministro Alexandre de Moraes, no qual apontou possíveis infrações de responsabilidade cometidas por Mendonça, movimento interpretado como reação aos desdobramentos do caso Banco Master.
Tentativa de pacificação e distanciamento institucional
Em meio às pressões, os 27 superintendentes regionais da PF divulgaram uma nota pública em defesa de Rodrigues, reforçando a premissa de que a atuação do órgão é isenta de preferências políticas, ideológicas ou interpessoais. A manifestação corporativa, no entanto, elevou o ruído de comunicação.
Diante do cenário de tensão e preocupado com o atrito entre o chefe da PF e o relator de inquéritos que envolvem seu filho, Fábio Luís Lula da Silva, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva chegou a orientar que Rodrigues procurasse Mendonça diretamente para buscar um entendimento. O diretor-geral da PF não deu prosseguimento à articulação de pacificação planejada por Messias e entrou em férias no período em que a reunião com o magistrado era esperada.
Interlocutores do diretor da PF indicam que Rodrigues considera ter cumprido seu papel formal ao acionar a AGU, estando no aguardo do parecer do órgão. Por sua vez, Mendonça interpretou a movimentação junto à AGU como uma tentativa indireta de retirá-lo da condução das investigações do INSS e do Banco Master — percepção agravada pela reação promovida no STF por Moraes.
