Três deputados federais do Partido dos Trabalhadores — Rogério Correia (PT-MG), Lindbergh Farias (PT-RJ) e Alencar Santana Braga (PT-SP) — protocolaram uma representação junto ao Ministério Público Eleitoral (MPE) solicitando a inelegibilidade do deputado Nikolas Ferreira (PL-MG). O pedido decorre do compartilhamento de um expediente falso atribuído à Polícia Federal nas redes sociais do parlamentar.
Conforme a peça enviada ao órgão na última sexta-feira (4), Nikolas teria utilizado a peça forjada para rebater reportagens que citavam o teor de mensagens e áudios trocados por ele com o empresário Daniel Vorcaro, ex-proprietário do Banco Master. A própria Polícia Federal desmentiu publicamente a autenticidade do arquivo.
Propagação em massa e alegações de defesa
A petição destaca que o material contrafeito alcançou um público amplo por meio das contas do congressista no Instagram e no X (antigo Twitter), onde ele soma mais de 27 milhões de seguidores. A publicação acabou sendo removida posteriormente.
Em sua defesa, o parlamentar alegou ter apenas replicado o post de um terceiro e que o conteúdo saiu do ar no momento em que a fonte original o deletou. “Um perfil, Space Liberdade, postou e eu tinha compartilhado. Assim que ele deletou, a minha postagem também sumiu”, declarou Nikolas.
Tipificações pleiteadas na representação
Na representação, os parlamentares requerem a abertura de procedimento de apuração por supostos ilícitos de uso indevido dos meios de comunicação social e abuso de poder político. A petição solicita ainda investigações sobre potenciais infrações eleitorais e condutas previstas no Código Penal, tais como falsificação e uso de documento público falso, falsidade ideológica e disseminação de informações inverídicas no contexto eleitoral.
Origem da controvérsia e manifestação do deputado
O imbróglio teve início com a repercussão de diálogos entre o deputado mineiro e Vorcaro. Em um dos trechos, o parlamentar solicitava auxílio em uma questão relativa à liberação de um ativo minerário. Nikolas rejeitou ter qualquer tipo de vínculo estreito ou pessoal com o ex-banqueiro, garantindo jamais ter recebido valores financeiros dele ou se reunido presencialmente com o empresário.
Em vídeo explicativo publicado em suas redes, o parlamentar detalhou como obteve o telefone de Vorcaro: “Em 2023, o pastor André Valadão, que era amigo do Daniel Vorcaro, me mandou o contato dele. E aqui vai a primeira lição de vida: nunca salve o contato com o nome que a pessoa mandou. Porque o André Valadão me mandou o nome de ‘Dani Vorcaro’. Eu achei que o nome dele era Dani”, relatou.
Nikolas também negou ter utilizado expressões afetuosas nas mensagens para demonstrar intimidade. “Eu não falo ‘lindão’ hora nenhuma. Mas por que no fim das contas isso é tão importante? Porque obviamente eles quiseram colocar isso na matéria como se eu tivesse uma proximidade com ele, como se fosse o Alexandre de Moraes, né? Como se fosse o Paulo Gonet, o Andrei Rodrigues, que fica lá fumando charuto e tomando uísque com ele”, concluiu o congressista.