O custo de vida se tornou um dos principais desafios da campanha de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) à reeleição. O governo anunciou, em 17 de setembro, reajuste de 15,04% no Bolsa Família, elevando o benefício mínimo de R$ 600 para R$ 691. A medida terá impacto adicional estimado em R$ 5,8 bilhões em 2026 e R$ 22,7 bilhões em 2027. O governo afirma que a correção recompõe a inflação acumulada pelo INPC desde março de 2023.
O reajuste ocorre a poucos dias do primeiro turno e prevê que os novos valores comecem a ser pagos em 19 de outubro, antes do segundo turno. A medida também foi alvo de questionamentos na Justiça Eleitoral. Em 18 de setembro, o ministro Gilmar Mendes reconheceu a validade do reajuste e afirmou que a atualização não representa criação de novo benefício nem ampliação do número de beneficiários.
A proximidade entre o anúncio e a eleição provocou críticas de adversários. Flávio Bolsonaro (PL) acusou o governo de utilizar o reajuste com finalidade eleitoral. A avaliação, porém, é uma acusação feita pelo candidato e não uma conclusão da Justiça Eleitoral sobre eventual irregularidade.
Pressão sobre o orçamento das famílias
Além da discussão sobre o Bolsa Família, a percepção dos eleitores sobre preços e renda ganhou espaço na campanha. Pesquisas recentes mostram que o cenário econômico continua sendo um dos pontos de atenção para o governo.
Na pesquisa CNT/MDA divulgada em 15 de setembro, 49,7% dos entrevistados disseram desaprovar o desempenho de Lula, enquanto 45,9% o aprovavam. Em um eventual segundo turno contra Flávio Bolsonaro, Lula aparecia com 47,3% e Flávio com 40%. O levantamento ouviu 2.002 pessoas entre 9 e 13 de setembro, com margem de erro de 2,2 pontos percentuais.
O endividamento das famílias também permanece no centro das discussões econômicas. Nesse contexto, o governo passou a defender medidas voltadas à renegociação de dívidas e à preservação do poder de compra, enquanto a oposição utiliza os preços de produtos e serviços como tema recorrente na campanha.
Bolsa Família no debate eleitoral
O reajuste do programa passou a integrar diretamente a disputa entre Lula e Flávio Bolsonaro. Enquanto o governo apresenta a medida como recomposição inflacionária prevista nas regras do programa, o candidato do PL questiona o momento escolhido para o anúncio.
Analistas também divergem sobre os efeitos fiscais da decisão. Parte dos economistas avalia que o impacto pode ser acomodado nas contas públicas, enquanto outros apontam dificuldades adicionais para o cumprimento das metas fiscais nos próximos anos.
Com a eleição se aproximando, a discussão sobre renda, preços, endividamento e benefícios sociais tende a permanecer entre os principais temas da disputa presidencial.