O ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal (STF), afirmou neste domingo (20) que parte das críticas publicadas pela imprensa sobre sua atuação na Corte revela, segundo ele, “preconceito regional” de “matriz racista”. A declaração foi feita em uma publicação nas redes sociais.
Dino afirmou que, desde sua chegada ao STF, tem sido alvo de comentários que fazem referência à sua origem maranhense. Entre as expressões citadas pelo ministro estão “jurista de província”, “pessoa destituída de qualquer qualificação” e “oratória grandiloquente de província”.
Uma das expressões mencionadas foi publicada em editorial de O Globo, que criticou a atuação de Dino e Gilmar Mendes durante a sessão de 15 de setembro, quando o STF discutiu a possibilidade de investigação envolvendo o ministro Alexandre de Moraes.
As críticas também envolveram referências feitas por Dino a Aristóteles durante a sessão. O filósofo Luiz Felipe Pondé analisou cinco citações utilizadas pelo ministro e considerou algumas delas coerentes, mas apontou imprecisão na associação feita por Dino entre ironia e descontração.
Em sua manifestação, Dino defendeu sua formação acadêmica no Maranhão e afirmou ter estudado Aristóteles na Universidade Federal do Maranhão (UFMA), sob orientação do professor Agostinho Ramalho Marques Neto. “Mas como? No Maranhão se estuda Aristóteles?”, escreveu, reproduzindo ironicamente o que considera ser a visão de seus críticos.
O ministro reconheceu que, por exercer uma função pública, está sujeito a críticas e ao debate sobre suas decisões. Ao mesmo tempo, afirmou que pretende apontar manifestações que considere ofensivas à dignidade e à decência.
Dino também declarou orgulho de sua origem e afirmou que continuará defendendo sua independência funcional como integrante do STF.
