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Início Brasil

De ex-metalúrgico a gestor de empresas milionárias: quem é o homem apontado pela PF em investigação que envolve Jaques Wagner

Por Junior Melo
05/jul/2026
Em Brasil
Foto: Reprodução/ Alessandro Dantas/Agencia Senado

Foto: Reprodução/ Alessandro Dantas/Agencia Senado

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O ex-metalúrgico Luiz Antônio Lombardi, que durante anos administrou oficinas mecânicas em São Paulo, passou a integrar o centro de uma investigação da Polícia Federal que apura uma negociação imobiliária envolvendo o senador Jaques Wagner (PT-BA).

De acordo com a PF, Lombardi teria atuado como “pessoa interposta” — expressão utilizada para indicar um possível intermediário ou testa de ferro — na compra de um apartamento avaliado em R$ 2,45 milhões, em Salvador. O imóvel é investigado como uma suposta vantagem indevida destinada ao parlamentar, hipótese que é negada pelas defesas.

A negociação foi conduzida pela Epitome S.A., empresa administrada por Lombardi. Embora a compra não tenha sido concluída, os investigadores consideram a operação relevante para apurar a suposta estrutura financeira do caso.

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As investigações apontam que Lombardi é amigo de infância do advogado Daniel Monteiro, apontado pela PF como operador do esquema envolvendo o empresário Augusto Lima, ex-sócio do Banco Master. Entre 2021 e 2024, o ex-metalúrgico assumiu a administração de empresas ligadas a Monteiro que, juntas, possuem capital social declarado de aproximadamente R$ 56 milhões.

Segundo reportagem de O Globo, pessoas que conviveram com Lombardi afirmam que ele enfrentava dificuldades financeiras quando atuava no ramo de oficinas mecânicas. Registros também mostram que ele respondeu a uma cobrança judicial por dívida de IPTU em Praia Grande (SP).

O que dizem os investigados

Por meio da defesa, Luiz Antônio Lombardi afirmou que não é proprietário da Epitome S.A. e que exerceu apenas a administração da empresa durante o período em que esteve vinculado à companhia.

A defesa de Augusto Lima declarou que ele nunca adquiriu o imóvel citado na investigação e que não possui participação nas empresas apontadas como compradoras. Os advogados também sustentam que a investigação não demonstra qualquer atuação funcional do senador Jaques Wagner em benefício de Augusto Lima ou do Banco Master.

Jaques Wagner também nega irregularidades.

Conversa com diretor da PF

Outro ponto revelado pela investigação é que Jaques Wagner foi filmado conversando reservadamente com o diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues, durante um evento no Palácio do Planalto, em 9 de junho.

No dia seguinte, o ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), autorizou a representação que deu origem à nova fase da Operação Compliance Zero. As buscas ocorreram em 18 de junho, quando agentes cumpriram mandados na residência do senador, na Bahia, e no hotel onde ele mantém residência em Brasília.

Durante a operação, a Polícia Federal apreendeu cerca de US$ 55 mil e € 33 mil em endereços ligados ao parlamentar. Os investigadores também apuram supostos pagamentos feitos por empresas relacionadas ao Banco Master à empresa da nora de Jaques Wagner, além da negociação do apartamento e do uso frequente de aeronaves ligadas ao banqueiro Daniel Vorcaro.

As investigações seguem em andamento, e até o momento não há condenações relacionadas ao caso. Todos os investigados negam a prática de irregularidades.

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