O discurso de confronto durou pouco. Após sinalizar uma possível resposta dura aos Estados Unidos diante do tarifaço anunciado pelo presidente Donald Trump, o governo Lula recuou e retirou a palavra “retaliação” do debate oficial.
A mudança de postura veio após a reação negativa de setores empresariais e alertas sobre os riscos de uma disputa comercial direta com os Estados Unidos. A preocupação é que medidas de revide possam ampliar os prejuízos para a economia brasileira.
O ministro da Fazenda, Dario Durigan, que anteriormente havia criticado o movimento como um ataque ao patriotismo brasileiro, adotou um tom mais cauteloso nesta sexta-feira (17). Segundo ele, o momento exige responsabilidade e cuidado para evitar que a questão econômica seja transformada em disputa política.
Empresários dos setores atingidos pelo tarifaço, assim como aqueles beneficiados pelas exceções anunciadas, cobravam justamente uma postura mais ativa do governo brasileiro nas negociações com Washington.
Nos bastidores, a expectativa é que o Planalto substitua o discurso de enfrentamento por uma estratégia diplomática capaz de buscar acordos e minimizar os impactos das novas tarifas.
O desafio agora é mostrar se a mudança de tom representa apenas um recuo momentâneo ou uma nova postura diante da crise. O tarifaço pode ter origem política, mas seus efeitos já começam a preocupar setores importantes da economia brasileira.