O Banco Master realizou duas cessões de crédito que totalizaram R$ 45,5 milhões ao ex-deputado federal e ex-ministro do governo Lula (PT), Walfrido dos Mares Guia.
Segundo o empresário, os recursos foram utilizados para a compra de ações da Biomm, farmacêutica que ele ajudou a fundar e que, à época, tinha o banqueiro Daniel Vorcaro como principal acionista.
As operações ocorreram em 2024: uma no valor de R$ 10 milhões em janeiro e outra de R$ 35 milhões em fevereiro.
De acordo com Mares Guia, ele optou por financiar a aquisição das ações em vez de utilizar recursos próprios.
“Como ele (Vorcaro) tinha estudado a operação toda, sabia da qualidade, eu tinha o crédito e fiz a operação. A Biomm fez aumento de capital e eu subscrevi. Ao invés de usar capital A, B ou C, fiz um financiamento”, afirmou o empresário em entrevista à coluna de Demétrio Vecchioli.
Relação com Daniel Vorcaro
Mares Guia afirmou que conheceu Daniel Vorcaro por ambos serem de Belo Horizonte (MG). Segundo ele, o interesse do banqueiro surgiu a partir da fábrica de insulina da Biomm na região metropolitana da capital mineira.
“Ele ficou interessado na nossa fábrica de insulina na região de BH, então me procurou. Falamos sobre a Biomm, que é uma empresa de capital aberto e tem inúmeros sócios. Ele adquiriu ações da empresa, como qualquer um poderia fazer”, declarou.
Em 2023, a Biomm realizou um aumento de capital com preferência para acionistas já existentes. Por meio do fundo Catargo, Vorcaro adquiriu as sobras da oferta e passou a deter cerca de 18% do capital da companhia, participação homologada em janeiro de 2024.
Destino das ações e do crédito
Quando Daniel Vorcaro foi preso pela primeira vez, em novembro do ano passado, acreditava-se que ele ainda controlava 25,86% da Biomm por meio do fundo Catargo.
Posteriormente, veio à tona a informação de que essas ações haviam sido repassadas ao Banco de Brasília (BRB) como compensação pela venda de carteiras de crédito inadimplentes.
Três meses após as cessões de crédito a Mares Guia, os contratos foram transferidos ao Banco Voiter S.A., instituição que posteriormente passou a se chamar Banco Pleno.
O Banco Pleno pertencia a Augusto Lima, ex-sócio do Banco Master, e foi liquidado pelo Banco Central.
Atualmente, o crédito está sob responsabilidade do Banvox, com vencimento previsto para 2029.