A indústria brasileira voltou a perder espaço no cenário internacional. Pelo segundo ano consecutivo, o país registrou uma queda expressiva no ranking mundial de desempenho da produção industrial, refletindo o ritmo lento de crescimento da manufatura nacional em comparação com outras economias.
De acordo com um levantamento do Instituto de Estudos para o Desenvolvimento Industrial (IEDI), com base em dados da Organização das Nações Unidas para o Desenvolvimento Industrial (UNIDO), o Brasil encerrou 2025 na 64ª posição entre 83 países analisados. No ano anterior, ocupava o 24º lugar, o que representa uma das maiores quedas do levantamento.
O cenário foi ainda mais desfavorável no último trimestre de 2025. Entre outubro e dezembro, o Brasil caiu da 28ª para a 72ª colocação, evidenciando a desaceleração da atividade industrial em um momento em que boa parte do mundo registrava crescimento.
Segundo o estudo, enquanto a produção da indústria de transformação mundial avançou cerca de 3,9% em 2025, a brasileira cresceu apenas 0,1%, praticamente ficando estagnada.
Especialistas apontam que diversos fatores contribuíram para esse desempenho, entre eles as taxas de juros elevadas, que reduziram o consumo e os investimentos, o alto endividamento das famílias, a baixa produtividade da indústria, além de desafios históricos como burocracia, infraestrutura deficiente e um sistema tributário considerado complexo.
O levantamento destaca que o ranking não mede o tamanho da indústria de cada país, mas sim o ritmo de crescimento da produção industrial. Ou seja, mesmo mantendo um parque industrial relevante, o Brasil perdeu posições porque avançou em um ritmo muito inferior ao de outras economias.
No comparativo internacional, o desempenho brasileiro ficou atrás de países como China, Estados Unidos, Rússia, Chile e Argentina. Em contrapartida, superou economias que também enfrentaram retração industrial, como Alemanha, México e África do Sul.
Os resultados reforçam o desafio de aumentar a competitividade da indústria nacional e impulsionar investimentos em inovação, infraestrutura e produtividade para que o setor volte a crescer em ritmo semelhante ao observado em outras economias do mundo.