O endividamento das famílias brasileiras permaneceu em patamar recorde pelo sétimo mês consecutivo. Em agosto, 82% das famílias declararam possuir algum tipo de dívida, enquanto 29,9% estavam com contas em atraso e 12,5% afirmaram não ter condições de pagar os débitos, segundo levantamento do Pagou Fácil, plataforma digital da Paschoalotto.
O percentual de famílias endividadas é o maior desde fevereiro de 2026. O prazo médio das contas atrasadas também aumentou e chegou a 65 dias. Além disso, 19,2% das famílias comprometem mais da metade da renda mensal com o pagamento de dívidas.
Apesar do cenário de pressão sobre o orçamento, a quantidade de inadimplentes apresentou pouca alteração entre julho e agosto. O número cresceu 0,06%, chegando a 83,9 milhões de pessoas. Já o estoque de dívidas em atraso avançou 0,96%, alcançando R$ 592 bilhões.
Com isso, enquanto a quantidade de brasileiros inadimplentes permaneceu praticamente estável, o volume financeiro das dívidas cresceu em ritmo significativamente maior. O valor médio devido chegou a R$ 1.687,27 por inadimplente.
Famílias de menor renda são mais afetadas
A evolução da inadimplência varia conforme a faixa de renda. Entre as famílias que recebem até três salários mínimos, a taxa passou de 38,5% para 38,8% entre julho e agosto. Nos demais grupos, o índice permaneceu estável ou recuou.
Segundo o levantamento, o resultado evidencia a maior vulnerabilidade das famílias de menor renda diante de oscilações no orçamento, especialmente na conciliação entre despesas básicas e pagamento de dívidas.
A instabilidade dos rendimentos aparece entre as principais razões apontadas pelos consumidores para a inadimplência. O desemprego foi citado por 43,24% dos entrevistados, enquanto o atraso de salário ou de outros rendimentos apareceu em 38,39%. Juntos, os dois fatores relacionados à perda ou à instabilidade da renda representam mais de 80% das respostas.
Cartão de crédito lidera entre as dívidas
Entre os tipos de dívida, cartões de crédito e outros produtos bancários representam 27,3% do total. Na sequência aparecem contas básicas, como água, luz e telefone, com 20,7%, e dívidas com financeiras, com 20,1%.
Serviços de internet e TV por assinatura correspondem a outros 11,5% dos débitos.
A inadimplência também apresenta distribuição semelhante entre homens e mulheres. As mulheres representam 50,6% dos consumidores negativados, enquanto os homens correspondem a 49,4%.
Por faixa etária, brasileiros entre 41 e 60 anos concentram a maior parcela dos inadimplentes, com 35,8% do total.
Diferenças entre os estados
O levantamento também aponta diferenças entre os estados brasileiros. O Amapá aparece com a maior representatividade de pessoas inadimplentes, com 64,94%.
Na outra ponta está o Piauí, com 40,86%, menor percentual registrado entre os estados analisados.
Negociações digitais ganham espaço
A forma de negociação das dívidas também mudou nos últimos anos. Em 2023, 20,5% das negociações eram realizadas digitalmente. O percentual chegou a 32% no mesmo período de 2025 e alcançou 42% em julho de 2026.
Os dados indicam uma migração de canais tradicionais, como telefone e atendimento presencial, para plataformas digitais, nas quais o próprio consumidor pode consultar e negociar seus débitos.
Com 83,9 milhões de inadimplentes e R$ 592 bilhões em dívidas atrasadas, os dados de agosto mostram que a estabilidade na quantidade de devedores não representa, necessariamente, redução da pressão financeira. O tamanho das dívidas acumuladas continua sendo um dos principais desafios para o orçamento das famílias, especialmente entre as de menor renda.
Com informações de VEJA