O anúncio de um reajuste de 15,04% no Bolsa Família provocou uma reação negativa nos mercados financeiros nesta quinta-feira (17). O governo federal elevou o benefício mínimo de R$ 600 para R$ 691 a partir de outubro, enquanto o valor médio passará de R$ 675 para R$ 777.
O anúncio ocorreu um dia após o Comitê de Política Monetária (Copom) reduzir a taxa Selic para 13,75% ao ano e manter aberta a possibilidade de novos cortes. Segundo a Exame, após a divulgação do reajuste, os juros futuros avançaram e o Ibovespa, que começou o dia em alta, chegou a recuar mais de 1%. O dólar também subiu durante o pregão.
Parte dos agentes financeiros consultados pela Exame avaliou que o reajuste, isoladamente, não seria suficiente para interromper o ciclo de redução dos juros. A preocupação está principalmente no possível efeito da medida sobre a demanda, as expectativas de inflação e a percepção sobre as contas públicas, além do momento do anúncio, às vésperas das eleições.
O impacto fiscal estimado pelo governo é de R$ 5,8 bilhões ainda em 2026 e de aproximadamente R$ 22 bilhões em 2027. A equipe econômica afirma que o reajuste será incorporado ao orçamento e que a medida está dentro das projeções fiscais.
Governo fala em reposição da inflação
O Ministério do Planejamento afirma que a atualização de 15,04% corresponde à inflação acumulada pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor (INPC) desde 2023. Segundo o governo, o objetivo é recompor o poder de compra das famílias beneficiárias, sem alterar os critérios de acesso ao programa.
O mercado, por sua vez, passou a avaliar como o aumento dos gastos poderá afetar as expectativas para inflação e trajetória fiscal. A reação ocorreu em um pregão que também foi marcado pela repercussão das decisões de juros no Brasil e nos Estados Unidos, além de fatores externos que influenciaram os ativos brasileiros.
No decorrer do pregão, o Ibovespa chegou a recuperar parte das perdas, com a alta de ações de empresas específicas ajudando a reduzir a pressão sobre o índice.