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Início Educação

“Bala de prata” da educação perde força: desempenho de escolas em tempo integral cai no Ideb e acende alerta no Brasil

Por Junior Melo
11/jul/2026
Em Educação
Foto: Jardiel Carvalho/Folhapress

Foto: Jardiel Carvalho/Folhapress

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O ensino médio em tempo integral, considerado por especialistas e gestores públicos uma das principais estratégias para melhorar a qualidade da educação brasileira, entrou no centro de um debate após apresentar queda de desempenho no Ideb (Índice de Desenvolvimento da Educação Básica).

Um estudo dos economistas Ricardo Paes de Barros e Laura Müller Machado, do Insper, revelou que a vantagem das escolas com jornada ampliada sobre as demais caiu significativamente entre 2019 e 2023.

As instituições em que os estudantes permanecem pelo menos 35 horas semanais na escola registraram redução de 0,07 ponto no Ideb, passando de 4,51 para 4,44. Enquanto isso, as escolas de período parcial tiveram melhora no indicador, saindo de 4,12 para 4,21 pontos.

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Com isso, a diferença de desempenho entre escolas integrais e tradicionais diminuiu cerca de 40% em apenas quatro anos.

Resultado surpreende pesquisadores

Para Ricardo Paes de Barros, coordenador do Centro de Evidências da Educação Integral do Insper, o resultado é preocupante e inesperado.

O pesquisador afirma que a escola integral era vista como uma das maiores oportunidades para elevar o aprendizado dos estudantes brasileiros, principalmente por reunir fatores como maior tempo de aula, professores com dedicação ampliada e ações voltadas ao desenvolvimento socioemocional.

“É grave”, afirmou Paes de Barros ao comentar a queda no desempenho.

Segundo ele, uma redução da diferença entre escolas integrais e parciais poderia acontecer com a expansão acelerada do modelo, mas a intensidade observada no período chamou atenção.

Expansão acelerada do ensino integral

O Brasil ampliou rapidamente o número de matrículas em escolas de tempo integral nos últimos anos.

Entre 2019 e 2025, a participação de estudantes do ensino médio nesse modelo passou de 11% para 25% do total.

Estados como Ceará, Paraíba e Piauí tiveram forte crescimento na oferta de vagas integrais. No Ceará, por exemplo, a proporção de alunos nesse regime passou de 25% para 45% entre 2019 e 2023.

Apesar dos avanços, pesquisadores alertam que o modelo exige planejamento, já que o custo por aluno é aproximadamente o dobro de uma escola convencional.

“Não dá para implementar escola integral de maneira descuidada”, afirmou Paes de Barros.

Pesquisadores levantam possíveis explicações

O estudo aponta algumas hipóteses para a queda no desempenho.

Uma delas é que características que diferenciavam as escolas integrais — como professores mais preparados, dedicação exclusiva e acompanhamento mais próximo dos alunos — podem ter perdido força durante a expansão do modelo.

Outra possibilidade envolve os impactos da pandemia de Covid-19, que pode ter afetado de maneira mais intensa as escolas com jornada ampliada.

Os pesquisadores também avaliam que os próximos resultados do Ideb podem ajudar a esclarecer se a queda foi um efeito temporário ou uma tendência mais profunda.

Governo deve investigar causas, diz pesquisador

Paes de Barros defende a criação de um grupo de especialistas para analisar os motivos da perda de desempenho.

Para ele, antes de continuar ampliando o ensino integral pelo país, é necessário compreender o que ocorreu e identificar quais elementos precisam ser corrigidos.

O alerta coloca em discussão uma das principais apostas da política educacional brasileira: se a simples ampliação do tempo dentro da escola é suficiente para melhorar a aprendizagem ou se o sucesso do modelo depende principalmente da qualidade da implementação.

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