O banqueiro Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, passou a primeira noite na quinta-feira (25) no presídio do 19º Batalhão da Polícia Militar do Distrito Federal, conhecido como Papudinha, após ser transferido por determinação do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), André Mendonça.
A unidade prisional possui celas mais amplas, que podem chegar a 65 metros quadrados. A estrutura inclui, em alguns casos, sala, quarto, cozinha, banheiro, lavanderia e até área externa privativa. No local, os detentos também têm acesso à televisão aberta.
Durante o período em que permaneceu custodiado na Superintendência da Polícia Federal, Vorcaro chegou a solicitar, em duas ocasiões, a instalação de uma televisão na sala onde estava preso enquanto negociava um acordo de delação premiada. Os pedidos, no entanto, foram negados pelas autoridades.
Transferência após rejeição de delação
A mudança ocorreu após a Polícia Federal e a Procuradoria-Geral da República (PGR) rejeitarem uma segunda proposta de colaboração premiada apresentada por Vorcaro. Diante da decisão, a PF sugeriu ao ministro André Mendonça que o investigado deixasse a Superintendência da corporação.
Entre os investigadores havia divergência sobre o destino do banqueiro. Parte defendia sua transferência para o Complexo Penitenciário da Papuda, enquanto outro grupo preferia a Papudinha, opção que acabou sendo adotada.
Sem contato com outro investigado
A Papudinha também abriga o ex-presidente do Banco de Brasília (BRB), Paulo Henrique Costa, investigado na mesma operação que apura um suposto esquema bilionário envolvendo o Banco Master.
Costa também tentou firmar um acordo de delação premiada, mas a proposta foi rejeitada pelas autoridades. Ele foi preso durante a quarta fase da Operação Compliance Zero, acusado de receber R$ 146 milhões em propina para favorecer interesses do Banco Master em negociações com o BRB.
Ao autorizar a transferência, o ministro André Mendonça determinou que Daniel Vorcaro e Paulo Henrique Costa permaneçam completamente incomunicáveis para preservar o andamento das investigações.
Na decisão, o magistrado afirmou que, diante da presença de outro investigado da Operação Compliance Zero na mesma unidade prisional, devem ser adotadas as medidas necessárias para assegurar a “absoluta incomunicabilidade” entre ambos, garantindo a integridade e a efetividade das apurações.