A primeira versão da delação do banqueiro Daniel Vorcaro trouxe à tona a menção a um contrato milionário envolvendo o escritório da mulher do ministro Alexandre de Moraes, em meio às investigações sobre o Banco Master.
O que revelava a primeira versão da delação de Daniel Vorcaro?
A primeira proposta de delação apresentada por Daniel Vorcaro citava a existência de um contrato de R$ 50 milhões relacionado ao escritório de Viviane Barci de Moraes, esposa do ministro Alexandre de Moraes. O documento foi elaborado semanas antes de sua prisão pela Polícia Federal.
Segundo informações reveladas pela colunista Malu Gaspar, a delação fazia parte do contexto da investigação que envolve o Banco Master. O material, no entanto, não avançou nas tratativas iniciais com os investigadores.
Por que a Polícia Federal rejeitou a delação do banqueiro?
A Polícia Federal entendeu que a primeira versão apresentada por Vorcaro não tinha elementos suficientes para contribuir de forma efetiva com a investigação. Por isso, o material foi considerado insuficiente e inconsistente.
A rejeição ocorreu no dia 20 de maio, antes da prisão do banqueiro no Aeroporto de Guarulhos, em São Paulo. A decisão também levou em conta a necessidade de maior robustez nas informações entregues. As informações são do jornal O Globo.
Qual a relação citada entre contrato e o escritório de Viviane de Moraes?
A delação mencionava um possível novo contrato de grande valor com o escritório de Viviane Barci de Moraes, ligada ao ministro do STF Viviane Barci de Moraes. A informação, contudo, não foi confirmada como operação formalizada.
O caso ganhou repercussão porque já havia registros de outro contrato entre o Banco Master e o escritório, levantando questionamentos sobre a extensão da relação comercial.
Como funcionava o contrato anterior do Banco Master com o escritório?
A Polícia Federal identificou um contrato anterior no valor de R$ 3,6 milhões por mês, com duração prevista de três anos. O total estimado chegaria a cerca de R$ 130 milhões. Antes da lista abaixo, vale destacar que esse contrato envolvia atuação jurídica em diferentes frentes administrativas e regulatórias. Entre os principais órgãos citados estavam:
- Banco Central (BC)
- Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade)
- Procuradoria-Geral da Fazenda Nacional (PGFN)
- Receita Federal
O contrato foi identificado a partir da análise de um dos celulares apreendidos de Vorcaro durante a operação Compliance Zero.
O que a CPI e a Polícia Federal já identificaram sobre os pagamentos?
Além da investigação da PF, a CPI do Crime no Senado também analisou movimentações financeiras relacionadas ao Banco Master. Os dados indicam pagamentos expressivos ao escritório envolvido.
Segundo apurações, cerca de R$ 80 milhões já teriam sido pagos entre fevereiro de 2024 e novembro de 2025, correspondendo a parte relevante do contrato firmado.
O que dizem as partes envolvidas no caso?
O escritório de Viviane Barci de Moraes negou a existência de novos contratos com Vorcaro ou empresas ligadas ao banqueiro. Também afirmou não ter prestado serviços adicionais fora do que foi formalmente acordado.
Em nota, o escritório declarou que não recebeu valores fora dos honorários contratados e que não houve prestação de serviços em contratos não formalizados. A defesa de Vorcaro, por sua vez, apresentou uma nova versão da delação à PF e à PGR nesta semana.