Passageiros de avião devem enfrentar mais atrasos e cancelamentos nos próximos meses, enquanto companhias aéreas globais reduzem voos e frotas diante da forte alta no querosene de aviação.
Por que os preços do querosene estão pressionando a aviação global?
A aviação mundial vive uma nova onda de pressão causada pela disparada dos custos de combustível, impulsionada por tensões geopolíticas e restrições logísticas. O impacto se intensificou após o agravamento do conflito envolvendo o Irã e o bloqueio do Estreito de Ormuz, rota estratégica do petróleo.
Além disso, a combinação entre oferta instável e demanda elevada fez o preço do querosene de aviação atingir níveis críticos, forçando companhias a revisar rotas menos lucrativas. Executivos do setor já admitem que até voos considerados “marginais” estão sendo reavaliados com urgência.
Quais companhias aéreas já estão cortando voos e reduzindo frotas?
Diversas companhias aéreas já anunciaram cortes significativos em suas operações. A KLM cancelou cerca de 80 voos de ida e volta em Amsterdã, enquanto a Lufthansa retirou 27 aeronaves da frota e reduziu capacidade global.
Nos Estados Unidos e em outras regiões, o movimento também é forte. A United cortou cerca de 5% da capacidade, a Delta estima custos extras de US$ 2,5 bilhões com combustível, e a Cathay Pacific reduziu frequências na Ásia:
- Europa: KLM cancela 80 voos, Lufthansa reduz frota e fecha operação CityLine
- América do Norte: United corta 5%, Delta reduz 3,5% e Air Canada cancela voos para JFK
- Ásia-Pacífico: Cathay reduz até 6% da capacidade e China amplia cancelamentos
- Oceania: Qantas corta voos e reduz 5% da capacidade doméstica
- Baixo custo: Norse Atlantic suspende voos para Los Angeles
Como a capacidade global de voos está sendo reduzida?
Segundo dados da empresa Cirium, a capacidade global de voos caiu cerca de 3 pontos percentuais em maio, após cortes realizados por 19 das 20 maiores companhias aéreas do mundo.
As projeções também foram revisadas para baixo, saindo de crescimento estimado entre 4% e 6% para um cenário que pode até registrar queda de até 3%, dependendo da evolução dos custos e do conflito energético. O setor ainda enfrenta o risco de impacto direto na temporada de viagens do verão no hemisfério norte.
Quais regiões e mercados estão mais afetados pela crise do combustível?
A crise atinge praticamente todos os continentes, com intensidade diferente em cada mercado. Europa e Ásia aparecem entre as regiões mais pressionadas, enquanto América do Norte e Oriente Médio também sofrem ajustes relevantes.
Antes de listar os impactos regionais, é importante entender que o problema não é isolado, mas resultado de uma cadeia global de custos, restrições e insegurança no abastecimento de combustível:
- Europa: risco de escassez de querosene em até seis semanas e cortes na Lufthansa, KLM, EasyJet e Ryanair
- Oriente Médio: rotas suspensas como Londres–Riade e Londres–Jeddah
- América do Norte: cortes da United, Delta e cancelamentos da Air Canada para Nova York JFK
- Ásia: Cathay Pacific reduz voos e China enfrenta cancelamentos diários
- África: companhias nigerianas alertam para “ameaça existencial” por custos do combustível
Por que o mercado aéreo pode enfrentar mais cortes nos próximos meses?
Especialistas do setor alertam que novos cortes são praticamente inevitáveis caso o preço do combustível continue elevado. A consultoria Cirium afirma que o cenário ainda está em fase de deterioração gradual.
Mesmo com uma leve queda recente no petróleo Brent após declarações sobre a abertura do Estreito de Ormuz, o ambiente segue instável e sujeito a mudanças rápidas no cenário geopolítico.
O que esperar para os próximos meses no setor aéreo?
A tendência é de continuidade na estratégia de redução de capacidade, com companhias priorizando rotas mais lucrativas e eliminando operações deficitárias. Isso pode impactar diretamente preços e disponibilidade de voos.
Além disso, diferenças entre empresas que fazem hedge de combustível e aquelas mais expostas ao mercado podem ampliar ainda mais a desigualdade de desempenho entre companhias aéreas globais nos próximos meses.
