O presidente do Banco de Brasília (BRB), Nelson Antônio de Souza, afirmou que a instituição foi “efetivamente fraudada com volumes substanciais” pelo Banco Master, em meio à crise envolvendo a aquisição de carteiras de crédito consideradas irregulares.
Como o presidente do BRB analisa o caso Banco Master?
O presidente do BRB, Nelson Antônio de Souza, declarou que a instituição foi diretamente prejudicada por operações atribuídas ao Banco Master. Segundo ele, o banco público do Distrito Federal foi “efetivamente fraudado” em volumes relevantes.
A fala foi dada em entrevista ao portal Metrópoles, na última sexta-feira (29/5), em um momento em que o BRB busca estabilizar sua posição financeira após as perdas associadas às carteiras adquiridas.
Como carteiras de crédito do Banco Master foram avaliadas em bilhões?
De acordo com Souza, os ativos adquiridos do Banco Master foram inicialmente avaliados em cerca de R$ 21,9 bilhões. No entanto, análises internas do BRB apontaram inconsistências relevantes nesses valores.
O banco identificou a necessidade de constituição de provisões de aproximadamente R$ 8,8 bilhões, como forma de ajustar o impacto dos ativos considerados problemáticos.
BRB reconhece provisões e busca reequilíbrio financeiro
O BRB informou que, apesar das perdas, trabalha para recompor seus indicadores de solidez financeira. A estratégia envolve ajustes contábeis e reforço de capital para manter a operação saudável.
Segundo o presidente, o objetivo é garantir que o banco continue operando com estabilidade, mesmo após a reavaliação dos ativos adquiridos e das provisões necessárias.
Qual o impacto da criação do fundo de investimento?
Como parte da estratégia de mitigação dos impactos, o BRB estruturou um fundo em parceria com a Quadra. A iniciativa tem como foco transformar ativos em liquidez e acelerar a recuperação financeira.
Antes de detalhar os instrumentos utilizados, o banco destacou os principais mecanismos adotados para enfrentar a crise e melhorar o fluxo de recursos:
- Criação de um fundo de investimento em direitos creditórios de aproximadamente R$ 15 bilhões
- Recebimento inicial de cerca de R$ 4 bilhões em cota sênior
- Estruturação de entrada gradual de recursos no caixa do banco
- Organização de ativos para geração de liquidez progressiva
GDF e FGC entram com apoio em operação de crédito estruturado
O Governo do Distrito Federal (GDF), controlador do BRB, também atua para reforçar a estabilidade da instituição. Foi firmado um contrato de empréstimo com o Fundo Garantidor de Crédito (FGC).
A operação prevê acesso a recursos de até R$ 6,5 bilhões, que deverão ser utilizados para reforço de capital e suporte ao banco.
Qual o papel do STF?
O acordo firmado entre GDF e FGC foi homologado pelo ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Luiz Fux, no âmbito de uma ação apresentada pelo próprio governo distrital.
Segundo o presidente do BRB, há ainda uma proposta em análise no valor de cerca de R$ 6,6 bilhões, com prazo de pagamento de 15 anos e carência de 18 meses, corrigida por IPCA mais spread financeiro, o que pode ajudar no equilíbrio de longo prazo da instituição.