A indústria brasileira da carne bovina se prepara para um ano de forte retração nas exportações para a China. Segundo estimativa da Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carnes (Abiec), os embarques devem cair de 1,68 milhão de toneladas, registradas em 2025, para cerca de 900 mil toneladas em 2026.
A redução representa uma queda de quase 50% nas vendas ao principal destino da carne bovina brasileira e pode retirar até US$ 4,5 bilhões do faturamento do setor.
O presidente da Abiec, Roberto Perosa, afirmou que a elevada dependência do mercado chinês torna o impacto inevitável.
“Todos sabem o nosso nível de exposição ao mercado chinês. É um decréscimo grande. Haverá reflexos na contabilidade das empresas, na balança comercial e no volume das exportações brasileiras”, declarou.
Embora o setor espere ampliar as vendas para outros países, a expectativa é de que esses mercados não consigam compensar a perda do volume destinado à China.
Nova regra da China afeta exportadores
A queda ocorre após o governo chinês adotar uma cota de importação para proteger sua produção interna de carne bovina. Pela nova regra, as importações dentro do limite estabelecido continuam sujeitas à tarifa de 12%.
No entanto, quando o volume ultrapassa 1,106 milhão de toneladas, passa a incidir uma sobretaxa de 55%, elevando a tributação total para 67%. O limite ficou bem abaixo do volume exportado pelo Brasil no ano passado.
Frigoríficos já sentem os efeitos
Os impactos da medida já começaram a aparecer na indústria. Frigoríficos brasileiros suspenderam temporariamente a produção de cortes destinados ao mercado chinês e adotaram medidas para reduzir custos.
Segundo a Abiec, empresas responsáveis por cerca de 98% das exportações brasileiras recorreram a férias coletivas, redução da jornada de trabalho, diminuição dos abates e até demissões.
Mesmo com a aceleração das exportações no primeiro semestre para antecipar embarques antes da aplicação da sobretaxa, a entidade projeta que o Brasil encerrará 2026 com uma queda de aproximadamente 10% nas exportações totais de carne bovina em relação às 3,5 milhões de toneladas embarcadas em 2025.