A aprovação da PEC que prevê o fim da escala 6×1 na Câmara dos Deputados promete alterar a rotina de milhões de trabalhadores brasileiros. O texto ainda depende do Senado, mas já traz mudanças importantes para jornadas, folgas e acordos coletivos.
Como ficará a jornada de trabalho no Brasil?
A proposta mantém a jornada atual de 44 horas semanais por até 60 dias após a promulgação da PEC. Depois desse período, o limite cairá para 42 horas semanais e, posteriormente, para 40 horas.
Mesmo com a redução, a escala deverá seguir o modelo 5×2, garantindo dois dias de descanso por semana. Um desses repousos deverá ocorrer, preferencialmente, aos domingos.
O que muda para quem trabalha aos domingos?
A PEC não proíbe o trabalho aos domingos e feriados, principalmente em áreas consideradas essenciais. Empresas continuarão podendo organizar escalas de revezamento para manter as atividades funcionando.
Caso o funcionário trabalhe no domingo sem compensação prevista em acordo coletivo ou banco de horas, as horas deverão ser pagas em dobro. A legislação atual sobre folgas compensatórias continuará válida.
Quais as principais mudanças previstas pela PEC?
A proposta altera diferentes pontos da relação entre empresas e trabalhadores. Entre as principais mudanças previstas, estão:
- Escala 5×2 obrigatória para trabalhadores do país
- Redução gradual da jornada de 44 para 40 horas semanais
- Garantia de dois descansos semanais remunerados
- Possibilidade de jornadas diárias maiores durante a transição
- Manutenção de acordos coletivos para categorias especiais
- Criação da figura do superempregado sem controle de jornada
As regras também reforçam o princípio do “acordado sobre o legislado”, permitindo negociações coletivas para adaptar horários e compensações conforme cada setor.
Como será a transição para a nova escala?
A mudança não acontecerá de forma imediata após a aprovação definitiva da PEC. O texto prevê um período de adaptação para empresas e trabalhadores reorganizarem jornadas e escalas.
Durante essa fase, poderá haver dias com mais de oito horas trabalhadas sem pagamento de hora extra. Isso ocorrerá para compensar a retirada de um dia de trabalho semanal dentro do novo limite permitido.
O que acontece com acordos coletivos e banco de horas?
Convenções e acordos coletivos que utilizam a escala atual perderão validade 60 dias após a publicação da emenda constitucional. Com isso, sindicatos e empresas precisarão renegociar regras de funcionamento.
O banco de horas continuará permitido, desde que exista previsão em acordo coletivo. A PEC também abre espaço para regras específicas destinadas a categorias que trabalham em modelos diferentes, como a escala 12×36.
Empresas terão ajuda para enfrentar custos extras?
O texto aprovado prevê que uma futura lei complementar poderá criar medidas transitórias para reduzir impactos financeiros da mudança. O objetivo é evitar demissões e ajudar setores mais afetados.
Esses possíveis incentivos seriam voltados principalmente para MEIs, microempresas e empresas de pequeno porte. Grandes companhias, pelo texto atual, não teriam direito a compensações tributárias ou benefícios especiais.