Mesmo após o governo federal recuar da cobrança sobre compras internacionais de até US$ 50, o ex-ministro da Fazenda Fernando Haddad (PT-SP) reafirmou que continua defendendo a chamada “taxa das blusinhas”, argumentando que a medida ajuda a equilibrar a concorrência entre o comércio físico e as plataformas estrangeiras.
Como Haddad reafirma apoio à taxa das blusinhas?
Em entrevista à BBC News Brasil, Haddad declarou que não mudou de opinião sobre a cobrança criada em 2024 e posteriormente revogada. Para ele, o imposto era necessário para evitar desigualdades tributárias entre diferentes modelos de comércio.
Segundo o petista, uma loja física que gera empregos e paga impostos no Brasil não pode enfrentar uma concorrência que tenha carga tributária significativamente menor. A declaração ocorre poucos dias após o presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmar que Haddad acreditava que a medida era positiva para proteger a indústria nacional.
Quais argumentos sustentam a defesa da medida?
Haddad cita o impacto da tributação na preservação de empregos e na competitividade da produção brasileira. Ele também destaca que os governos estaduais continuam cobrando o ICMS sobre essas compras internacionais. Entre os principais argumentos apresentados pelo ex-ministro estão:
- Proteção da indústria nacional diante da concorrência internacional;
- Equilíbrio tributário entre lojas físicas e plataformas estrangeiras;
- Preservação de empregos, segundo dados apresentados pela indústria;
- Manutenção da arrecadação de impostos pelos estados.
Como Tarcísio de Freitas volta a ser alvo das críticas?
Durante a entrevista, Haddad direcionou críticas ao governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), provável adversário na disputa estadual de 2026. Segundo ele, há pouca cobrança pública sobre a manutenção do ICMS nas compras internacionais.
A estratégia faz parte da pré-campanha do petista, que busca ampliar sua presença no interior paulista e fortalecer sua imagem diante do eleitorado. O tema da tributação foi utilizado como um dos exemplos para diferenciar suas posições das defendidas pelo atual governador.
Disputa em São Paulo ainda apresenta cenário desafiador
Levantamento da Quaest, divulgado no fim de abril, mostrou Tarcísio liderando os cenários de intenção de voto para a reeleição. Haddad aparece atrás do governador, o que torna a disputa considerada difícil por analistas políticos.
Mesmo sem o início oficial da campanha, Haddad já intensificou agendas públicas, viagens pelo interior e encontros em universidades. A definição do candidato a vice-governador, segundo ele, deve ocorrer até meados de junho.
Futuro do PT e sucessão de Lula seguem em aberto
Outro tema abordado pelo ex-ministro foi a sucessão dentro do Partido dos Trabalhadores (PT). Haddad afirmou que ainda é cedo para discutir quem herdará o protagonismo político de Lula após a provável última disputa presidencial do atual presidente.
Questionado sobre a possibilidade de assumir esse papel no futuro, o ex-prefeito de São Paulo evitou previsões. Ainda assim, destacou que uma eventual prévia interna para escolher um candidato presidencial poderia representar um momento histórico para o partido.
Haddad defende coerência em meio ao debate político
Ao manter sua posição sobre a taxa das blusinhas, Haddad busca transmitir uma imagem de coerência, mesmo diante da impopularidade do tema. A postura também reforça sua estratégia de defender decisões que considera importantes para a economia e para a indústria nacional.
Com a corrida eleitoral de 2026 ganhando forma, declarações como essa mostram que o ex-ministro pretende sustentar suas convicções enquanto tenta ampliar espaço na disputa pelo comando do maior estado do país.