Presidente teria ficado insatisfeito com decisões do ministro durante as eleições e pretende frustrar sua indicação para uma vaga no TRF-1, segundo informações da jornalista Malu Gaspar.
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) estaria preparando uma resposta política ao ministro Kassio Nunes Marques, do Supremo Tribunal Federal (STF), em razão de sua atuação à frente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) durante as eleições presidenciais de 2026.
Segundo informações divulgadas pela jornalista Malu Gaspar, integrantes do Palácio do Planalto afirmam que Lula decidiu favorecer o candidato apoiado pelo ministro Flávio Dino na disputa por uma vaga no Tribunal Regional Federal da 1ª Região (TRF-1), contrariando os interesses de Nunes Marques.
A movimentação expõe uma disputa de influência dentro do Judiciário e levanta questionamentos sobre o peso das decisões judiciais nas indicações realizadas pelo Poder Executivo.
Decisões eleitorais teriam provocado irritação de Lula
De acordo com a reportagem, a insatisfação do governo petista aumentou durante o segundo turno das eleições, quando Nunes Marques adotou posições consideradas contrárias aos interesses da campanha de Lula.
Entre os episódios mencionados está a decisão de manter válidos os votos de Deltan Dallagnol na disputa pelo Senado no Paraná.
Outro ponto de atrito teria sido a ausência de decisão sobre o pedido do PT para ampliar em duas horas o funcionamento das seções eleitorais no segundo turno, realizado em 25 de outubro.
Diante da situação, a campanha petista recorreu ao STF e obteve uma decisão liminar do ministro Cristiano Zanin pouco antes do encerramento da votação.
A reportagem também relata que pedidos de vista apresentados por Nunes Marques foram interpretados por integrantes do governo como tentativas de impedir decisões favoráveis a Lula.
Disputa entre Dino e Nunes Marques
A vaga no TRF-1 tornou-se o centro de uma disputa entre dois ministros do Supremo.
Flávio Dino apoia o juiz federal Fausto Mendanha, que recebeu 31 votos na formação da lista tríplice. Já Nunes Marques tem como candidato preferido Henrique Gouveia da Cunha, seu juiz auxiliar no STF há mais de três anos, que recebeu 24 votos.
O terceiro nome é Itagiba Catta Preta Neto, com 27 votos, considerado pouco aceitável pelo governo petista em razão de seu histórico de decisões envolvendo Lula.
Em 2016, Itagiba suspendeu a posse do atual presidente como ministro da Casa Civil de Dilma Rousseff e participou de manifestações contrárias ao governo petista.
Segundo Malu Gaspar, antes das eleições a disputa entre os indicados de Dino e Nunes Marques era considerada equilibrada. Agora, o cenário teria mudado completamente.
Governo fala em derrota de Kassio
Um integrante do governo ouvido pela coluna afirmou que a escolha do candidato de Nunes Marques estaria praticamente descartada.
“É certa a derrota do Kassio na disputa pela vaga do TRF-1. A postura dele no TSE inviabilizou a escolha do candidato dele.”
O interlocutor também mencionou as repercussões das investigações relacionadas ao Banco Master, que teriam agravado o desgaste político do ministro junto ao Planalto.
Outro aliado de Lula, segundo a reportagem, afirmou que Nunes Marques e André Mendonça teriam apostado politicamente na candidatura de Flávio Bolsonaro.
Independência do Judiciário entra no debate
O episódio revela uma questão institucional delicada: até que ponto decisões tomadas por magistrados podem influenciar a disposição do presidente da República em atender às suas indicações para cargos no Judiciário?
Embora a escolha de integrantes dos tribunais envolva critérios constitucionais e margem de decisão política, a possibilidade de uma indicação ser rejeitada como resposta à atuação de um magistrado em processos eleitorais alimenta o debate sobre a independência entre os Poderes.
Por enquanto, a suposta retaliação é uma interpretação atribuída às fontes ouvidas pela jornalista Malu Gaspar. Não há confirmação oficial de Lula de que a escolha será motivada pelas decisões de Nunes Marques.
Caso a preferência pelo indicado de Flávio Dino se confirme, o episódio representará uma vitória do ministro indicado por Lula ao STF e uma derrota política para Nunes Marques, nomeado ao Supremo pelo ex-presidente Jair Bolsonaro.
Fonte: Coluna de Malu Gaspar, com informações atribuídas a integrantes do governo federal.
