A ex-atleta universitária Rachel Apa, de 24 anos, morreu no domingo (1º), após passar mal durante a Maratona de Nova York, nos Estados Unidos. Segundo o pai da jovem, Steve, a causa da morte foi rabdomiólise, uma condição caracterizada pela destruição das fibras musculares, que pode provocar danos graves aos rins e outras complicações no organismo.
Rachel participava de sua primeira maratona quando começou a sentir dores durante o percurso. Por volta do quilômetro 22, ela enviou uma mensagem ao pai relatando o desconforto. A jovem voltou a apresentar sintomas na altura dos 28 quilômetros, mas decidiu continuar a prova.
A situação se agravou depois que Rachel ultrapassou os 38 quilômetros, quando caiu durante a corrida. Um espectador iniciou imediatamente as manobras de reanimação, enquanto equipes de socorro utilizaram um desfibrilador antes de encaminhá-la ao hospital. Apesar das tentativas de atendimento, a jovem morreu às 21h40 do mesmo dia.
O que é rabdomiólise?
A rabdomiólise ocorre quando há destruição das células musculares, provocando a liberação de substâncias na corrente sanguínea, como a mioglobina e o potássio. Em determinadas situações, o quadro pode comprometer o funcionamento dos rins e provocar alterações perigosas no organismo.
A nefrologista Caroline Reigada, do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (USP), explica que o esforço físico excessivo pode desencadear a destruição das fibras musculares.
“A mioglobina liberada pode danificar os rins, enquanto o desequilíbrio de minerais também ameaça o organismo. O reconhecimento e tratamento imediatos da rabdomiólise são vitais”, afirma a especialista.
Já a nefrologista Flavia Gonçalves, do Hospital Sírio-Libanês, em Brasília, destaca que os principais sinais da doença incluem dor muscular intensa, inchaço, rigidez e fraqueza.
O diagnóstico leva em consideração os sintomas apresentados, o histórico do paciente e exames laboratoriais que identificam alterações relacionadas à lesão muscular.
O tratamento busca interromper os danos aos músculos, preservar a função dos rins e controlar possíveis complicações. Entre as medidas utilizadas está a hidratação intravenosa, ajustada de acordo com a gravidade do quadro. Em situações mais graves, pode ser necessária a realização de diálise.
O caso de Rachel chama a atenção para os riscos de complicações associadas ao esforço físico extremo e reforça a importância de reconhecer sinais de alerta durante atividades de alta intensidade.
