O Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central decidiu nesta quarta-feira (5) reduzir a taxa básica de juros da economia brasileira, a Selic, para 14% ao ano. A decisão dá continuidade ao ciclo de cortes iniciado na reunião anterior, quando a taxa caiu de 15% para 14,25% ao ano.
A redução de 0,25 ponto percentual já era esperada pelo mercado financeiro, que vinha precificando o movimento antes da reunião. A principal dúvida entre investidores estava relacionada ao tom do comunicado divulgado pelo colegiado e aos próximos passos da política monetária.
Em nota, o Copom afirmou que a decisão é compatível com a estratégia de levar a inflação de volta para o centro da meta no horizonte considerado pelo Banco Central.
“O Copom decidiu reduzir a taxa básica de juros para 14,00% a.a., e entende que essa decisão é compatível com a estratégia de convergência da inflação para o redor da meta ao longo do horizonte relevante”, informou o comitê.
Segundo o órgão, a medida também busca reduzir impactos negativos sobre a atividade econômica e contribuir para o nível de emprego, sem deixar de priorizar o controle da inflação.
Copom mantém cautela sobre cenário internacional
Apesar da redução dos juros, o Banco Central reforçou a necessidade de cautela diante das incertezas no cenário externo. Entre os fatores citados estão os conflitos no Oriente Médio e as dúvidas sobre os próximos passos da política monetária em economias avançadas.
Na avaliação do Copom, o ambiente internacional segue marcado por volatilidade nos preços de ativos e commodities, o que exige atenção especialmente dos países emergentes.
“O cenário atual está caracterizado por aumento da incerteza, desancoragem das expectativas e riscos elevados em torno do cenário base”, afirmou o colegiado.
O comitê destacou ainda que continuará acompanhando a evolução da economia para manter uma política monetária considerada adequada e garantir a convergência da inflação para a meta.
Próximos passos seguem sem definição
Apesar de reduzir a Selic, o Copom não indicou qual será o ritmo das próximas decisões nem antecipou se haverá novos cortes nos juros.
O colegiado afirmou que seguirá avaliando o comportamento da inflação, das expectativas do mercado e do cenário internacional antes de definir os próximos movimentos.
A decisão desta quarta-feira encerra um período em que a Selic permaneceu em 15% ao ano por cinco reuniões consecutivas antes do início do atual ciclo de redução.