Pelo menos 15 palestinos morreram neste domingo (2) em novos ataques aéreos de Israel contra a Faixa de Gaza, segundo autoridades de saúde locais. A ofensiva ocorreu mesmo após o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, anunciar avanços nas negociações para implementar um acordo de cessar-fogo.
Os bombardeios atingiram a Cidade de Gaza, Deir al-Balah e Khan Younis, provocando o maior número de mortes em um único dia nas últimas semanas, de acordo com equipes médicas palestinas.
Na última quinta-feira (31), Trump afirmou que o Hamas e outros grupos armados teriam concordado em discutir o desarmamento, aumentando as expectativas por uma redução dos confrontos.
Israel diz que não há acordo para interromper ofensiva
Apesar do otimismo demonstrado pelos Estados Unidos, o governo israelense afirmou que não existe, até o momento, um acordo para suspender as operações militares.
O ministro da Energia de Israel, Eli Cohen, integrante do gabinete de segurança do primeiro-ministro Benjamin Netanyahu, declarou que o Hamas terá a oportunidade de entregar suas armas, mas afirmou estar “muito cético” quanto à possibilidade de isso acontecer.
Segundo Cohen, caso o grupo não aceite o desarmamento, Israel poderá ampliar sua presença militar e assumir o controle total da Faixa de Gaza.
“Nossa posição é que o Hamas deve ser desmantelado. Essa é a primeira coisa que precisa acontecer”, afirmou o ministro.
Bombardeios atingiram casas e tendas
De acordo com autoridades palestinas, os ataques atingiram casas, apartamentos e tendas utilizadas por famílias deslocadas.
Em Mawasi, próximo a Khan Younis, um casal e o filho de 9 anos morreram após um bombardeio contra uma residência.
Na Cidade de Gaza, outro casal e o filho morreram em um ataque contra um apartamento. Outras vítimas foram registradas após bombardeios contra tendas e áreas residenciais nos bairros de Zeitoun e Jabalia.
O Exército de Israel afirmou que alguns dos alvos eram integrantes da força de elite “Nukhba”, ligada ao Hamas, e disse que ainda analisa os resultados das operações.
Hamas acusa Israel de dificultar negociações
O Hamas afirmou que demonstrou disposição para avançar nas negociações, mas acusou Israel de intensificar os ataques justamente no momento em que ocorrem esforços diplomáticos para encerrar o conflito.
Segundo Basem Naim, dirigente do grupo, a ofensiva busca criar uma nova realidade militar antes da implementação de qualquer acordo.
O Hamas mantém a posição de que somente aceitará discutir o desarmamento após a interrupção completa dos ataques israelenses e a retirada das tropas da Faixa de Gaza, conforme previsto nas negociações do cessar-fogo.
EUA tentam destravar acordo
Na sexta-feira (1º), o Conselho de Paz liderado pelos Estados Unidos divulgou um roteiro com etapas para implementar o cessar-fogo firmado anteriormente.
Segundo o ex-dirigente palestino Mohammed Dahlan, o enviado americano Jared Kushner continua mantendo contatos com autoridades israelenses para buscar a suspensão dos ataques e garantir o cumprimento do acordo.
Até o momento, nem o governo dos Estados Unidos nem Israel comentaram oficialmente as declarações.
