A Polícia Federal abriu uma apuração para investigar uma possível interferência dos Estados Unidos nas eleições brasileiras. A informação foi confirmada neste domingo (4) pelo diretor-geral da corporação, Andrei Rodrigues.
Segundo Rodrigues, a investigação começou após uma representação encaminhada pela Advocacia-Geral da União (AGU), que solicitou a apuração de um suposto esquema de financiamento ligado ao governo de Donald Trump e que poderia ter como objetivo interferir nas eleições e pressionar instituições brasileiras.
Investigação ainda está em fase preliminar
O diretor-geral explicou que o caso foi encaminhado para a Diretoria de Inteligência da PF. Segundo ele, já existe uma investigação em andamento, mas ainda não foi publicada uma portaria formal de instauração de inquérito policial.
A apuração terá como objetivo analisar as informações apresentadas à corporação e verificar se houve financiamento ou atuação estrangeira com intenção de interferir no processo eleitoral brasileiro.
Pedido da AGU
A representação da AGU foi motivada por uma reportagem publicada pelo jornal britânico The Guardian, que informou que o governo dos Estados Unidos teria destinado US$ 1 milhão de um fundo relacionado a direitos humanos e democracia para um programa voltado ao Brasil.
O programa, denominado “Combate ao Lawfare e à Censura no Brasil”, teria como foco organizações da sociedade civil críticas à atuação do Supremo Tribunal Federal. A AGU pediu que PF e PGR investiguem a origem e o destino dos recursos e eventual relação deles com uma tentativa de interferência nas eleições.
A existência de financiamento ou de uma operação destinada efetivamente a interferir no resultado das eleições ainda não foi comprovada. A própria PF trata o caso, neste momento, como uma apuração preliminar.
TSE diz não haver ameaça concreta
Enquanto a PF iniciou a apuração, o presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), Nunes Marques, afirmou neste domingo que não há, até o momento, indicativos de interferência internacional nas eleições de 2026.
Segundo o ministro, os órgãos responsáveis pelo monitoramento de riscos internacionais não identificaram ameaça concreta relacionada ao processo eleitoral.
A investigação da PF deverá analisar os elementos apresentados pela AGU e determinar se existem indícios suficientes para a abertura de um inquérito formal.