As novas restrições impostas pela China e pela União Europeia às exportações brasileiras de carne bovina estão pressionando o setor frigorífico, mas podem trazer uma boa notícia para o consumidor: a tendência é de queda nos preços da carne nos próximos meses.
Com mais dificuldades para vender ao exterior, parte da produção permanece no mercado interno, aumentando a oferta e contribuindo para a redução dos preços.
Segundo dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), junho registrou a primeira queda no preço da carne bovina desde setembro de 2025. No atacado, o recuo foi de 2,34%, de acordo com o Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea/Esalq-USP). Já no varejo, o IPCA apontou queda de 0,64%.
Especialistas avaliam que esse movimento pode continuar até outubro, quando a China renovará sua cota anual de importação.
China limita compras e pressiona exportadores
O principal impacto vem do mercado chinês, maior comprador da carne bovina brasileira.
Desde janeiro deste ano, Pequim passou a cobrar uma tarifa de 55% sobre as exportações que ultrapassarem a cota anual permitida. Dentro do limite, a alíquota permanece em 12%.
O Brasil já utilizou grande parte da cota destinada para 2026. Embora o governo chinês informe que cerca de 80% do volume autorizado tenha sido preenchido, representantes do setor acreditam que o percentual real seja ainda maior, já que parte das cargas embarcadas ainda não chegou aos portos chineses.
Em 2025, a China respondeu por quase metade de toda a carne bovina exportada pelo Brasil, movimentando cerca de US$ 8,9 bilhões.
União Europeia amplia pressão
Além das limitações impostas pela China, o setor também enfrenta dificuldades na União Europeia.
A partir de 3 de setembro, o bloco europeu deixará de autorizar a importação de diversas carnes brasileiras, alegando que o Brasil não comprovou adequação às normas europeias relacionadas ao uso de antimicrobianos na produção animal.
A combinação das restrições nos dois principais mercados internacionais aumenta a pressão sobre frigoríficos e pecuaristas, que terão de buscar novos compradores para parte da produção.
Setor aposta em novos mercados
Especialistas defendem que a saída passa por negociações diplomáticas com a China e pela ampliação das exportações para outros países.
Segundo pesquisadores do setor, pagar a tarifa de 55% para continuar exportando à China reduziria drasticamente a margem de lucro da indústria, tornando a operação pouco atrativa.
Entidades do agronegócio também defendem a diversificação dos mercados, ressaltando que o objetivo não é substituir a China, mas reduzir a dependência de um único comprador.
Consumidor pode sentir alívio no bolso
Apesar das dificuldades enfrentadas pelos exportadores, a maior disponibilidade de carne no mercado interno tende a favorecer os consumidores.
Ainda assim, especialistas alertam que o mercado brasileiro dificilmente conseguirá absorver todo o excedente destinado inicialmente à exportação, principalmente devido ao poder de compra da população.
Mesmo com esse limite, o aumento da oferta deve manter a pressão de baixa sobre os preços no curto prazo, beneficiando quem compra carne nos supermercados e açougues.
