O presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), ministro Kassio Nunes Marques, afirmou neste domingo (4) que não há, até o momento, nenhum indicativo concreto de interferência internacional nas eleições brasileiras de 2026.
Segundo o ministro, as equipes responsáveis pelo monitoramento de riscos internacionais não identificaram ameaças relacionadas ao pleito. Ele afirmou ainda que os relatórios da Polícia Federal (PF), da Agência Brasileira de Inteligência (Abin) e de outros órgãos que atuam em parceria com o TSE também não apontaram riscos dessa natureza.
“Até o momento, não temos nenhum indicativo concreto de interferência internacional”, afirmou Nunes Marques durante entrevista coletiva.
O presidente do TSE também declarou que não foram identificados riscos concretos relacionados ao crime organizado ou à possibilidade de atentados durante a votação. Ele disse que algumas informações sobre supostas ameaças circularam nas redes sociais, mas não foram confirmadas pelos órgãos de segurança.
PF abriu apuração sobre possível interferência dos EUA
A declaração ocorre poucas horas depois de o diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues, informar que a corporação abriu uma apuração preliminar sobre uma possível interferência dos Estados Unidos nas eleições brasileiras.
O procedimento foi iniciado após uma representação da Advocacia-Geral da União (AGU), motivada por uma reportagem do jornal britânico The Guardian sobre recursos destinados pelo governo de Donald Trump a um programa relacionado ao Brasil. A PF ainda não publicou portaria formal de instauração de inquérito.
A existência dessa apuração, porém, não significa que uma interferência estrangeira tenha sido comprovada. O objetivo inicial é verificar as informações apresentadas à Polícia Federal e identificar se houve irregularidades.
Embaixadas suspenderam serviços
Nunes Marques também comentou a decisão das embaixadas dos Estados Unidos e da Austrália de suspenderem temporariamente serviços consulares no Brasil antes da votação.
Segundo o ministro, a justificativa apresentada pelas representações diplomáticas estaria relacionada ao ambiente de polarização política. Ele afirmou que medidas semelhantes já foram adotadas em outros países durante períodos eleitorais considerados mais tensos.
Apesar das preocupações levantadas nos últimos dias, o presidente do TSE afirmou que o processo eleitoral transcorria normalmente e que os órgãos de inteligência não haviam identificado uma ameaça concreta ao pleito.