Dezenas de pessoas procuraram atendimento médico na Alemanha após apresentarem dores nos olhos e alterações na visão depois do eclipse solar parcial observado na quarta-feira (12). Os casos foram registrados em diferentes cidades do país, com maior concentração no estado de Baden-Württemberg, no sudoeste alemão.
Segundo a emissora pública alemã SWR, cerca de 20 pessoas procuraram a clínica oftalmológica do Hospital Universitário de Mannheim nas horas seguintes ao fenômeno. Os pacientes relataram sintomas como dor de cabeça, tontura e alterações na visão. Nos casos avaliados pela unidade, porém, os exames não identificaram danos estruturais na retina.
Em Heidelberg, entre 30 e 40 pessoas buscaram atendimento nos dias seguintes ao eclipse. Stuttgart registrou aproximadamente 20 pacientes, enquanto pelo menos oito pessoas foram atendidas ainda na noite de quarta-feira em Freiburg. A cidade também recebeu novos pacientes no dia seguinte.
A maioria das pessoas examinadas nessas cidades não apresentou perda objetiva da visão nem lesões permanentes. Em Tübingen, contudo, o hospital universitário confirmou danos na retina em três pessoas que teriam observado o Sol por tempo excessivo durante o eclipse.
Os pacientes apresentaram sintomas como visão embaçada, pontos pretos ou luminosos no campo de visão e sensação de pressão nos olhos. O quadro é compatível com lesões provocadas pela exposição direta à radiação solar.
Casos também foram registrados em Berlim
A procura por atendimento não ficou restrita ao sudoeste da Alemanha. Em Berlim, a Charité, um dos principais hospitais universitários do país, informou ter atendido dez pessoas na noite após o eclipse.
A rede hospitalar Vivantes também registrou outros dez pacientes com alterações leves na visão.
Apesar do número de atendimentos, a maior parte dos casos avaliados não apresentou lesões permanentes. Os episódios, entretanto, reacenderam os alertas de especialistas sobre os riscos de observar um eclipse sem proteção adequada.
Risco de lesões permanentes
Antes do fenômeno, o Escritório Federal de Proteção contra Radiação da Alemanha havia alertado para os perigos de olhar diretamente para o Sol. A exposição à luz solar intensa pode provocar danos permanentes na retina em pouco tempo.
Um dos fatores que aumentam o risco é que a lesão nem sempre é percebida imediatamente. Uma pessoa pode observar o Sol e só notar alterações na visão posteriormente, quando o dano já ocorreu.
Por isso, especialistas recomendam que eclipses solares sejam observados somente com métodos de proteção adequados. O uso de óculos de sol comuns não é suficiente para proteger os olhos da radiação solar durante a observação direta do fenômeno.