Casos emblemáticos de crianças desaparecidas, como o dos irmãos de Bacabal, no Maranhão, e o de Edson Davi, no Rio de Janeiro, chamam a atenção para um problema que preocupa famílias em todo o país. Diante dessas situações, especialistas e autoridades reforçam que a prevenção não significa ensinar crianças a terem medo de todas as pessoas, mas criar uma rede de segurança e orientar sobre comportamentos que podem ajudar em situações inesperadas.
Dados do Ministério da Justiça e Segurança Pública mostram que o desaparecimento de crianças e adolescentes continua sendo um desafio nacional. O governo mantém uma base específica de registros e um relatório estatístico anual para acompanhar os casos e os índices de localização. A própria pasta reconhece que ainda existem desafios na consolidação dessas informações entre os estados.
A prevenção começa com medidas simples. Em locais movimentados, como praias, parques, shoppings, eventos e pontos turísticos, os responsáveis devem manter as crianças por perto e estabelecer pontos de encontro para situações em que alguém se perca. O Ministério da Justiça recomenda atenção redobrada nesses ambientes, principalmente durante períodos de maior circulação de pessoas.
Também é importante ensinar às crianças informações básicas, como nome completo, nome dos responsáveis e, de acordo com a idade, um telefone de contato. A orientação deve ser adaptada à faixa etária e transmitida de forma tranquila, sem criar a ideia de que todas as pessoas desconhecidas representam uma ameaça.
Outro ponto de atenção são os relacionamentos pela internet. Crianças e adolescentes devem ser orientados sobre o risco de compartilhar informações pessoais, localização, rotina, endereço, fotos ou dados da família com pessoas que conheceram apenas pelas redes sociais ou aplicativos.
O que fazer em caso de desaparecimento
Em caso de desaparecimento, a orientação é procurar imediatamente a Polícia Civil e registrar um boletim de ocorrência. Não é necessário esperar 24 horas para comunicar o desaparecimento.
O registro policial é fundamental porque permite que as informações sejam integradas ao Cadastro Nacional de Pessoas Desaparecidas (CNPD). O sistema reúne dados de ocorrências registradas pelas Polícias Civis e permite o cruzamento de informações para auxiliar na localização das pessoas.
Para crianças e adolescentes em situação de risco iminente de morte ou de lesão corporal grave, existe ainda o Alerta Amber Brasil. A ferramenta permite divulgar, nas primeiras 24 horas, informações e fotografias do desaparecido para usuários de redes sociais localizados em um raio de até 160 quilômetros do local do desaparecimento.
O alerta depende de critérios específicos, como o desaparecimento recente e involuntário, indícios de risco grave, autorização dos responsáveis, fotografia recente e solicitação formal da autoridade policial.
A prevenção, portanto, passa menos pelo medo e mais pela informação. Ensinar crianças a reconhecer situações de risco, manter uma comunicação aberta com os responsáveis e adotar cuidados em ambientes físicos e digitais pode ajudar a reduzir vulnerabilidades e facilitar uma resposta rápida quando algo acontecer.