O Congresso Nacional do Paraguai publicou, nesta quarta-feira (29), uma nota de repúdio ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva após declarações sobre a Guerra da Tríplice Aliança, também conhecida como Guerra do Paraguai. O conflito, considerado o maior da história da América do Sul, ocorreu entre dezembro de 1864 e março de 1870, envolvendo Brasil, Argentina e Uruguai contra o Paraguai.
No comunicado, o Parlamento paraguaio afirma que as declarações de Lula “distorcem e minimizam a dimensão histórica da guerra”, além de desconsiderarem “a complexidade das origens do conflito e o profundo sofrimento humano suportado pelo povo paraguaio”.
Veja a nota:

A declaração do presidente brasileiro foi feita na última sexta-feira (24), durante uma visita à Avibras Aeroespacial, em Jacareí, no interior de São Paulo. Em um discurso sobre a necessidade de ampliar os investimentos do Brasil na área de defesa, Lula mencionou o conflito histórico.
“Nós gostamos da paz, mas não podemos esquecer que, um dia, o Paraguai decidiu invadir o Brasil. Invadiu Corumbá e, ao mesmo tempo, invadiu o Uruguai e a Argentina. E essa guerra, que parecia que não ia dar em nada, durou cinco anos”, afirmou o presidente.
As declarações provocaram reações de políticos paraguaios, especialmente de integrantes da oposição de direita e de membros do governista Partido Colorado.
Entre as manifestações, o presidente da Câmara dos Deputados do Paraguai, Raúl Latorre, divulgou um comunicado criticando a fala de Lula. No texto, ele afirmou que o presidente brasileiro tratou “com muita leviandade” aquele que considera o maior episódio trágico da história paraguaia.
“Presidente Lula, o senhor está falando com muita leviandade sobre a maior tragédia da nossa história e o maior genocídio do nosso continente”, escreveu Latorre. O parlamentar ainda fez referência a uma declaração anterior de Lula sobre a guerra na Ucrânia e ironizou o presidente brasileiro ao afirmar: “Se lhe faltarem jabuticabas, podemos lhe enviar algumas”.
A Guerra da Tríplice Aliança permanece como um dos episódios mais marcantes da história da América do Sul e ainda desperta debates e interpretações distintas entre historiadores e autoridades dos países envolvidos. O episódio evidencia como declarações sobre acontecimentos históricos continuam repercutindo nas relações diplomáticas entre Brasil e Paraguai.