As declarações do presidente da Argentina, Javier Milei, durante a convenção do Partido Liberal (PL), voltaram a colocar em evidência o debate sobre manifestações de líderes políticos em eleições de outros países. Após chamar o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) de “ladrão” e “presidiário” e se referir ao ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Alexandre de Moraes, como “lixo careca”, o governo brasileiro reagiu por meio do Itamaraty.
O Ministério das Relações Exteriores convocou o embaixador da Argentina no Brasil para manifestar a “repulsa” às declarações de Milei. Em nota oficial, a diplomacia brasileira condenou os ataques feitos pelo presidente argentino durante sua visita privada a São Paulo.
A repercussão também trouxe de volta à discussão episódios em que o próprio presidente Lula declarou apoio público a candidatos em disputas presidenciais de outros países.
Apoio a Joe Biden nos Estados Unidos
Em fevereiro de 2024, Lula afirmou que torcia pela reeleição do então presidente dos Estados Unidos, Joe Biden. Na ocasião, disse esperar que o democrata fosse vencedor por considerar que isso contribuiria para a defesa da democracia e dos trabalhadores.
Posteriormente, Biden deixou a disputa presidencial, e Donald Trump retornou à Casa Branca após vencer as eleições.
Pedido de votos para Gustavo Petro na Colômbia
Durante um evento com movimentos sociais em 2022, Lula pediu publicamente que os colombianos votassem em Gustavo Petro para a Presidência da Colômbia. O então ex-presidente conduziu um coro em apoio ao candidato de esquerda, afirmando que trabalhadores, estudantes e movimentos sociais brasileiros desejavam sua vitória.
Apoio a Pepe Mujica no Uruguai
Nas eleições uruguaias de 2009, Lula declarou apoio ao então candidato José “Pepe” Mujica. A manifestação foi transmitida pelo ex-governador do Rio Grande do Sul Olívio Dutra, que afirmou que Lula acreditava que um governo de Mujica fortaleceria as relações entre Brasil e Uruguai, especialmente no âmbito do Mercosul.
Declarações favoráveis a Hugo Chávez
Em 2012, Lula participou de uma campanha de apoio à reeleição de Hugo Chávez na Venezuela. Em uma mensagem gravada para a campanha, afirmou que “a tua vitória será a nossa vitória”. O petista também já havia defendido anteriormente a possibilidade de reeleição ilimitada no país, afirmando que a decisão cabia ao povo venezuelano.
Apoio à candidatura de Nicolás Maduro
Após a morte de Hugo Chávez, em 2013, Lula gravou um vídeo em apoio à candidatura de Nicolás Maduro. Embora tenha afirmado que não pretendia interferir nos assuntos internos da Venezuela, declarou que “Maduro presidente é a Venezuela que Chávez sonhou”. A gravação foi utilizada durante a campanha eleitoral do então candidato.
Debate sobre manifestações internacionais
A reação do governo brasileiro às declarações de Javier Milei reacendeu o debate sobre os limites das manifestações de chefes de Estado em processos políticos de outros países. Enquanto o Itamaraty classificou como inaceitáveis as declarações do presidente argentino contra Lula e um ministro do STF, críticos lembraram episódios em que o próprio presidente brasileiro fez manifestações públicas de apoio a candidatos em eleições estrangeiras.
