Os gastos com publicidade institucional da Presidência da República atingiram o maior patamar dos últimos 17 anos no primeiro semestre de 2026. Segundo levantamento do jornal O Estado de S. Paulo, a Secretaria de Comunicação Social da Presidência da República (Secom) desembolsou R$ 255,3 milhões entre janeiro e junho deste ano para ações publicitárias, além de empenhar outros R$ 584,7 milhões para campanhas futuras.
De acordo com o levantamento, o valor efetivamente pago no primeiro semestre é o maior para o período desde o início da série histórica da Secom, em 2009. Os dados foram obtidos por meio do cruzamento de informações da própria Secretaria de Comunicação com registros do Sistema Integrado de Planejamento e Orçamento (Siop) e do Siga Brasil.
O estudo mostra que os R$ 255,3 milhões pagos em 2026 representam um aumento de 57% em relação ao mesmo período de 2025, quando foram desembolsados R$ 162,5 milhões, em valores corrigidos pela inflação.
Na comparação com 2022, último ano do governo do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), a diferença é ainda maior. Naquele período, a publicidade institucional somou R$ 79,9 milhões no primeiro semestre, o que representa um crescimento de aproximadamente 219% nos gastos realizados pela atual gestão.
O levantamento considera exclusivamente as despesas da Presidência da República executadas por meio da Secom. Entre 2021 e 2022, durante o governo Bolsonaro, a publicidade institucional estava sob responsabilidade do Ministério das Comunicações. Gastos realizados por outros ministérios, como Saúde e Educação, não fazem parte da comparação.
Ao longo de três anos e meio de governo, a gestão do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) já desembolsou cerca de R$ 1,1 bilhão em publicidade institucional, segundo os dados compilados pela reportagem. No governo Bolsonaro, o total pago durante os quatro anos de mandato foi de R$ 634,2 milhões. No governo Michel Temer (MDB), os gastos somaram R$ 576,6 milhões. Já nos mandatos da ex-presidente Dilma Rousseff (PT), foram desembolsados R$ 829,7 milhões no primeiro mandato e R$ 229,1 milhões no segundo.
Em nota, a Secretaria de Comunicação Social afirmou que os investimentos têm como finalidade divulgar políticas públicas e informar a população sobre os serviços oferecidos pelo governo federal. A pasta também destacou que é comum que pagamentos realizados em um determinado exercício sejam referentes a contratos firmados em anos anteriores, podendo abranger despesas acumuladas ao longo dos últimos cinco anos.
Segundo a Secom, apenas 17,3% do montante pago em 2026 corresponde a despesas do próprio exercício. O órgão acrescentou que comparações entre diferentes períodos devem levar em conta as particularidades de cada gestão e que a distribuição dos recursos segue os critérios previstos na legislação vigente.
