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Início Eleições

Presidente do TSE diz que uso de IA em campanhas é permitido, mas faz ressalva: “Não pode prejudicar alguém”

Por Junior Melo
28/jul/2026
Em Eleições
Nunes Marques quer deixar os dados no site do TSE
- Rosinei Coutinho/STF - 03.12.2025

Nunes Marques quer deixar os dados no site do TSE - Rosinei Coutinho/STF - 03.12.2025

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O presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), ministro Kassio Nunes Marques, afirmou que o uso de inteligência artificial (IA) em campanhas eleitorais é permitido pela legislação brasileira, desde que a tecnologia não seja utilizada para prejudicar candidatos ou comprometer a lisura do processo eleitoral.

A declaração foi dada ao jornal O Estado de S. Paulo e publicada nesta segunda-feira (27). Segundo o ministro, o uso da ferramenta é lícito quando respeita os limites estabelecidos pela Justiça Eleitoral.

“Usar IA para fazer campanha é lícito, o que não pode é usar para prejudicar alguém”, afirmou Nunes Marques.

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O presidente do TSE, no entanto, evitou comentar especificamente o vídeo exibido durante a convenção nacional do Partido Liberal (PL), que utilizou inteligência artificial para reproduzir a imagem e a voz do ex-presidente Jair Bolsonaro. Segundo o ministro, como o caso poderá ser analisado pela Corte, não seria adequado antecipar qualquer posicionamento.

Durante o evento, os organizadores informaram ao público que o conteúdo havia sido produzido com inteligência artificial. No vídeo, a representação digital de Bolsonaro pede apoio à pré-candidatura do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) à Presidência da República.

Nunes Marques também ressaltou que a inteligência artificial já é utilizada em diferentes áreas do Poder Judiciário e defendeu que a tecnologia, por si só, não deve ser considerada ilegal.

PT questiona vídeo no TSE

No último domingo (26), a Federação Brasil da Esperança, formada por PT, PV e PCdoB, protocolou uma ação no Tribunal Superior Eleitoral contestando a exibição do vídeo durante a convenção do PL.

A federação sustenta que houve propaganda eleitoral antecipada e uso irregular de inteligência artificial em desacordo com as normas da Justiça Eleitoral. Segundo a ação, o vídeo recria com alto grau de realismo a imagem e a voz de Jair Bolsonaro, conferindo maior autenticidade e potencial de influência sobre o eleitorado.

Além da ação no TSE, o PT informou ter encaminhado ao Supremo Tribunal Federal (STF) uma notícia de descumprimento de ordem judicial envolvendo o ex-presidente.

O que dizem as regras do TSE

A eventual análise do caso deverá levar em consideração a resolução do Tribunal Superior Eleitoral que regulamenta o uso de inteligência artificial nas eleições.

A norma proíbe a divulgação de conteúdos fabricados ou manipulados para espalhar informações sabidamente falsas ou descontextualizadas capazes de comprometer o equilíbrio da disputa eleitoral ou a integridade do processo democrático.

O texto também veda o uso de deepfakes — áudios ou vídeos produzidos ou alterados digitalmente para reproduzir a imagem ou a voz de pessoas, vivas ou falecidas — quando utilizados para favorecer ou prejudicar candidaturas, ainda que exista autorização da pessoa retratada.

Com a ação apresentada pela Federação Brasil da Esperança, caberá ao Tribunal Superior Eleitoral analisar se o vídeo exibido durante a convenção do PL se enquadra ou não nas hipóteses previstas pela legislação eleitoral.

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