Páginas anônimas em redes sociais estão sendo usadas para impulsionar ataques ao governador de Santa Catarina, Jorginho Mello, segundo levantamento da consultoria Bites divulgado pelo jornal O Globo.
De acordo com a apuração, três perfis no Instagram e Facebook investiram cerca de R$ 487 mil em apenas três meses para ampliar o alcance de publicações críticas ao governador, que é pré-candidato à reeleição.
A estratégia segue um padrão semelhante ao identificado anteriormente em campanhas contra o senador Flávio Bolsonaro e o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas, em que páginas com poucos seguidores e sem identificação clara de responsáveis movimentaram altos valores em anúncios políticos.
As páginas citadas no caso catarinense — SC Digital, Bolsonaristas SC e Pátria Catarinense — somam menos de 200 seguidores cada, mas concentraram investimentos expressivos em curto espaço de tempo.
Parte das publicações tenta questionar a identificação política de Jorginho Mello com a direita, resgatando antigas imagens dele ao lado da ex-presidente Dilma Rousseff e sugerindo vínculos políticos passados.
Outros conteúdos criticam medidas do governo estadual, como a sanção de uma lei que permitia aos pais vetarem a participação dos filhos em atividades pedagógicas relacionadas a gênero nas escolas.
A legislação, proposta pela deputada estadual Ana Campagnolo, foi posteriormente considerada inconstitucional pelo Tribunal de Justiça de Santa Catarina, sob o entendimento de que diretrizes educacionais são competência da União.
Além disso, as páginas também exploraram o caso do cão Orelha, episódio que ganhou repercussão no estado e foi usado politicamente por diferentes grupos.
Segundo a Bites, uma das páginas chegou a registrar mais de um milhão de impressões em um único anúncio, direcionado especificamente ao público catarinense.
A Meta, responsável pelo Facebook e Instagram, informou que atua em parceria com autoridades para garantir a integridade das eleições de 2026 e reforçou que mantém políticas de transparência para anúncios com conteúdo político e social.
A investigação também aponta que os perfis utilizavam estratégias para mascarar o caráter político das publicações, com legendas genéricas e neutras, além de registros de sites e números de telefone com características semelhantes, indicando possível coordenação entre as páginas.
Atualmente, as três páginas mencionadas já aparecem como indisponíveis no Facebook.
