As autoridades da Turquia impediram a atracação de um cruzeiro voltado ao público LGBTQ+ em portos do país, alegando questões relacionadas a “padrões morais” e “valores familiares”. A informação foi divulgada nesta quinta-feira (2) pela Atlantis Events, empresa responsável pela organização da viagem.
O cruzeiro “Atenas a Veneza”, que parte da Grécia no próximo dia 5 de julho, tinha previsão de realizar escalas na cidade portuária de Kuşadası e em Istambul. No entanto, segundo a empresa, as autoridades turcas cancelaram as paradas alegando que os grupos a bordo seriam “conhecidos por comportamentos incompatíveis com os valores da sociedade”.
A embarcação utilizada na viagem é a Scarlet Lady, pertencente à Virgin Voyages, companhia apoiada pelo empresário Richard Branson.
Após a decisão, a Atlantis informou que o itinerário foi alterado e que o navio fará escalas no Cairo, no Egito, e na ilha grega de Creta, em substituição aos destinos turcos.
O CEO da Atlantis Events, Rich Campbell, criticou a medida e afirmou que esta é a primeira vez, em 36 anos de atuação da empresa, que um grupo da companhia é impedido de entrar em um país por causa da identidade de seus passageiros.
“É preocupante quando um país decide quem pode ou não entrar com base em quem essas pessoas são”, declarou Campbell à CNN.
Segundo a empresa, cerca de 1.100 dos 1.900 passageiros esperados para a viagem são norte-americanos. O restante é composto por viajantes de países como Reino Unido, Canadá e Austrália.
Nos últimos anos, o governo do presidente Recep Tayyip Erdoğan e o Partido AKP têm intensificado o discurso contra a comunidade LGBTQ+, medida criticada por organizações de direitos humanos.
Desde 2015, as autoridades turcas também proíbem a realização das Paradas do Orgulho LGBTQ+ em Istambul, sob a justificativa de segurança pública.
A Atlantis informou aos passageiros sobre a mudança no roteiro, afirmando que a alteração ocorreu por circunstâncias alheias à vontade da empresa.
