A crise envolvendo a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro (PL) e o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) tem ampliado o isolamento político de Michelle entre parlamentares do Partido Liberal no Congresso Nacional. Até o momento, a senadora Damares Alves foi a única a se manifestar publicamente em apoio à ex-primeira-dama.
Além da falta de apoio dentro do Legislativo, lideranças bolsonaristas fora do Parlamento também têm evitado se posicionar em defesa de Michelle. Damares, inclusive, esteve ausente de um encontro promovido por Flávio com mulheres conservadoras em Brasília nesta semana, assim como a própria ex-primeira-dama.
Na quinta-feira (2), o presidente nacional do PL, Valdemar Costa Neto, criticou publicamente atitudes recentes de Michelle relacionadas ao episódio. Segundo ele, foi um erro a ex-primeira-dama compartilhar um vídeo do ex-governador Anthony Garotinho em que ele menciona supostas festas promovidas pelo banqueiro Daniel Vorcaro.
Valdemar afirmou que Michelle errou ao divulgar um conteúdo cuja autenticidade ainda não foi comprovada. Um dos episódios mencionados no vídeo é conhecido como “Noite dos Astronautas”, no qual Garotinho cita supostos encontros promovidos por Vorcaro com mulheres nuas e pessoas ligadas ao discurso conservador.
A publicação foi feita por Michelle na segunda-feira (29), acompanhada da legenda: “A verdade de Jesus vai prevalecer”. Nos bastidores, o gesto foi interpretado por aliados de Flávio como uma indireta ao senador. Posteriormente, Garotinho negou qualquer ligação entre o vídeo e o parlamentar.
Bastidores
Reservadamente, deputados e senadores do PL avaliam que Michelle errou ao expor publicamente o conflito com o enteado. A maioria da bancada mantém relação política mais próxima com Flávio Bolsonaro, pré-candidato à Presidência, e tende a se alinhar a ele.
O embate veio a público no último dia 24 de junho, quando Michelle publicou vídeos afirmando ter sido desrespeitada e maltratada por Flávio durante uma ligação telefônica.
O pano de fundo da disputa envolve a estratégia eleitoral do PL no Ceará. Michelle é contrária à aproximação do partido com Ciro Gomes, pré-candidato ao governo estadual, e defende apoio a nomes mais alinhados ao bolsonarismo, como Eduardo Girão.
Na tentativa de conter a repercussão, Flávio publicou uma nota negando qualquer desrespeito e afirmou que jamais trataria Michelle dessa forma. O senador também pediu desculpas caso ela tenha se sentido ofendida.
Apoio restrito e força política
Nos bastidores, parlamentares avaliam que Michelle mantém forte apelo eleitoral, especialmente entre mulheres conservadoras e evangélicas, mas não construiu a mesma articulação política dentro do Congresso.
Flávio, por outro lado, possui uma relação consolidada com deputados, senadores e lideranças partidárias, o que tem garantido maior respaldo interno durante a crise.
Por ora, aliados do senador têm adotado uma postura cautelosa para evitar ampliar o desgaste e dar mais protagonismo ao conflito interno.
