O presidente Luiz Inácio Lula da Silva voltou a subir o tom do discurso político durante a convenção nacional do PDT, realizada na noite de segunda-feira (20), ao desafiar o secretário de Estado dos Estados Unidos, Marco Rubio, a vir ao Brasil para apoiar o senador e pré-candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL-RJ).
Ao defender sua candidatura à reeleição, Lula afirmou que existem “traidores da pátria” que recorrem aos Estados Unidos para “punir o Brasil” e ironizou a situação ao dizer que acharia “engraçado” se Rubio viesse ao país para montar um comitê em favor de seu adversário. O presidente também declarou que “não há possibilidade de permitir que a democracia sofra mais um arranhão”.
Entretanto, um levantamento qualitativo realizado pelo Instituto Democracia em Xeque indica que o tom adotado pelo presidente não foi bem recebido por parte do eleitorado indeciso.
Segundo a pesquisa, conduzida com grupos de eleitores entre 30 e 50 anos, com renda familiar de três a sete salários mínimos, os participantes demonstraram preocupação com a forma como o tema vem sendo tratado, especialmente diante das tensões envolvendo o chamado “tarifaço” anunciado pelos Estados Unidos.
Entre os depoimentos registrados, um dos participantes afirmou que não aprovou o tom adotado pelo presidente. “Não gostei desse ar de brincadeira, de competição. Deveria levar mais a sério, não é brincadeira”, disse.
Outro entrevistado teve percepção semelhante e avaliou que “o ar brincalhão, competitivo ou pouco solene não parece adequado diante de um tema percebido como grave”.
De acordo com o levantamento, os eleitores ouvidos não consideram que eventuais posicionamentos do pré-candidato Flávio Bolsonaro ou do presidente norte-americano Donald Trump sejam suficientes para justificar uma postura considerada por eles como excessiva por parte de Lula.
A pesquisa qualitativa busca compreender as percepções e sentimentos dos eleitores sobre acontecimentos políticos e não tem caráter estatístico ou de intenção de voto.