Um homem do Espírito Santo foi preso após uma moradora de Porto Velho (RO) perder cerca de R$ 45 mil em um relacionamento iniciado pelas redes sociais. Depois de conquistar a confiança da vítima, ele passou a ameaçá-la com a divulgação de imagens íntimas caso ela deixasse de enviar dinheiro. O caso é investigado pela Polícia Civil de Rondônia como estelionato sentimental e extorsão.
Em entrevista à CBN, o delegado Vitor Mio Brunelli, responsável pela investigação, informou que a vítima procurou a polícia no ano passado após suspeitar que estava sendo vítima de um golpe.
Segundo a investigação, a mulher conheceu o suspeito pelas redes sociais e os dois chegaram a se encontrar pessoalmente durante uma viagem dele a Porto Velho. A partir desse contato, iniciaram um relacionamento.
No começo, o investigado alegava enfrentar dificuldades financeiras e dizia precisar de ajuda para despesas emergenciais. A vítima acreditava que o relacionamento era verdadeiro e fazia transferências para ajudá-lo.
“Ela acreditava que estava criando um vínculo afetivo, que ele queria manter esse relacionamento duradouro com ela, cedia essas investidas”, afirmou o delegado.
Conforme Brunelli, quando a mulher passou a ter dificuldades para continuar enviando dinheiro, o homem se afastou e deixou de visitá-la com frequência. Em seguida, passou a exigir novos pagamentos sob ameaça de divulgar mensagens e chamadas de vídeo íntimas trocadas entre os dois.
“Ele passou então a extorquir dinheiro, exigindo que ela enviasse esses valores sob pena de expor as mensagens íntimas e as chamadas de vídeo íntimas que eles faziam durante esse relacionamento”, disse o delegado.
De acordo com a Polícia Civil, o prejuízo da vítima chegou a aproximadamente R$ 45 mil, considerando tanto as transferências feitas durante o relacionamento quanto os valores enviados após o início das ameaças.
As investigações apontaram que o suspeito escondia informações sobre sua identidade. Ele dizia ser caminhoneiro, afirmava morar no Espírito Santo e enviava fotos de locais próximos ao mar, mas nunca informava em qual cidade vivia nem fornecia seu endereço. Também costumava pedir dinheiro para despesas como combustível e pedágios.
“O período que ele vinha supostamente para vê-la, na verdade, ele estava a trabalho e só aproveitava a oportunidade para fazer esse contato com ela e manter esse vínculo que ela estava criando com ele”, explicou Brunelli.
O delegado informou que a vítima reuniu comprovantes das transferências, conversas, números de telefone e as chaves Pix utilizadas para os pagamentos. Segundo ele, esse material foi decisivo para identificar o suspeito, localizar seu endereço e levantar informações sobre sua rotina, com apoio da Polícia Civil do Espírito Santo.
A Polícia Civil orienta que vítimas de golpes semelhantes procurem uma delegacia assim que surgirem indícios de fraude ou extorsão. Também recomenda guardar comprovantes de transferências, conversas, números de telefone e qualquer outra informação que possa auxiliar nas investigações.
“Ao primeiro sinal ou desconfiança, procurar a delegacia de polícia. Nem que seja para resguardo do direito, mas, se já tem a desconfiança de que é um golpe, já fornecer as informações e a documentação necessária para a gente fazer esse trabalho”, orientou o delegado.
