A Justiça de São Paulo condenou um guarda civil metropolitano, um ex-integrante da corporação e outros dois homens por participação em uma organização criminosa envolvida no comércio ilegal de armas de fogo e munições na região da Cracolândia, no centro da capital paulista. A decisão foi publicada nesta terça-feira (1º).
Entre os condenados estão Elias Silvestre da Silva, integrante da Guarda Civil Metropolitana (GCM), e Rubens Alexandre Bezerra, ex-GCM apontado pelas investigações como um dos principais responsáveis pela articulação do esquema. Também foram condenados Edno Sousa da Silva e Odair José Gonçalves Rodrigues.
De acordo com a sentença, os quatro foram responsabilizados pelos crimes de organização criminosa e comércio ilegal de armas de fogo.
As penas aplicadas variam entre 11 anos e 1 mês e 16 anos, 5 meses e 5 dias de prisão, todas em regime inicial fechado, além de multa. Rubens Alexandre Bezerra recebeu a maior pena, com 16 anos, 5 meses e 5 dias de reclusão. Edno Sousa da Silva foi condenado a 15 anos e 9 meses; Odair José Gonçalves Rodrigues, a 14 anos, 11 meses e 22 dias; e Elias Silvestre da Silva, a 11 anos e 1 mês.
Na mesma decisão, o magistrado absolveu Rubens Alexandre Bezerra e Odair José Gonçalves Rodrigues de parte das acusações, por considerar insuficientes as provas em relação a alguns pontos da denúncia.
Já Ednaldo de Almeida Passos foi absolvido integralmente por falta de provas.
Além das penas de prisão, o juiz determinou a perda dos cargos públicos ocupados pelos condenados que ainda exerciam função pública. Segundo a decisão, as condenações superiores a quatro anos e a gravidade dos crimes tornam incompatível a permanência no serviço público, conforme previsto no Código Penal.
A condenação é resultado da Operação Salus et Dignitas, deflagrada em agosto de 2024 pelo Ministério Público de São Paulo (MPSP), com apoio de forças de segurança, incluindo agentes da própria GCM, para desmontar a atuação do grupo criminoso na Cracolândia.
As investigações apontaram que a organização era formada por guardas civis metropolitanos, um ex-integrante da corporação e outros suspeitos, envolvidos em um esquema que incluía extorsão, comércio ilegal de armas e outros crimes ligados ao Primeiro Comando da Capital (PCC).
Segundo o Ministério Público, o grupo cobrava valores de comerciantes da região em troca de proteção contra criminosos e usuários de drogas que circulavam no local.
Além disso, os investigados também seriam responsáveis pelo fornecimento de armas, receptação de produtos roubados, lavagem de dinheiro e outras atividades ilícitas que alimentavam financeiramente a estrutura criminosa.
Rubens Alexandre Bezerra, apontado como um dos principais articuladores, teria atuado na negociação de armas de fogo, equipamentos de interceptação de comunicações policiais e outros materiais destinados ao crime organizado, além de manter vínculos com integrantes do PCC, conforme a investigação.
