O ex-presidente da Venezuela, Nicolás Maduro, enfrenta um novo processo na Justiça federal dos Estados Unidos. Preso desde janeiro em território americano, Maduro agora é alvo de uma ação civil movida por familiares de cinco venezuelanos mortos entre 2017 e 2021.
De acordo com informações divulgadas pela agência Bloomberg, a petição foi protocolada na terça-feira (30) no Tribunal Distrital dos Estados Unidos para o Distrito Leste de Nova York.
Na ação, os familiares acusam Maduro de ordenar execuções realizadas pelas Forças de Ações Especiais (Faes), unidade extinta da Polícia Nacional Bolivariana (PNB), alegando violação da legislação americana.
Segundo os autores do processo, as Faes teriam sido utilizadas sob o argumento de combate ao tráfico de drogas e repressão a gangues, mas, na prática, funcionavam como instrumento de repressão política e controle social.
A petição sustenta que a corporação atuava para intimidar comunidades de baixa renda, silenciar opositores e executar ações violentas contra dissidentes. As famílias classificam a unidade como um “esquadrão da morte”.
O processo é fundamentado na Lei Federal de Proteção às Vítimas de Tortura dos Estados Unidos, conforme apontado pela Bloomberg.
Os denunciantes afirmam que agentes das Faes invadiram residências, forçaram jovens a se ajoelharem e realizaram as execuções dentro das próprias casas.
Um dos familiares relatou à Justiça americana que ainda vive na Venezuela ao lado de outro irmão e teme represálias, alegando que integrantes responsáveis pela criação das Faes continuam ocupando cargos de alto escalão no país.
Diante desse cenário, os autores argumentam que não existem garantias de acesso à Justiça na Venezuela, o que motivou a apresentação da ação nos Estados Unidos.
Maduro está sob custódia americana desde janeiro, após ser capturado em uma operação militar em Caracas, juntamente com sua esposa, Cilia Flores. Ambos respondem a acusações relacionadas a narcoterrorismo na Justiça dos EUA.
Além desse processo, o ex-líder venezuelano também é investigado no estado da Flórida por suspeitas de envolvimento em um esquema de lavagem de dinheiro.