O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, confirmou nesta terça-feira (11) que trocou secretamente de avião na Turquia, em julho, por orientação do Serviço Secreto americano. Segundo o presidente, a aeronave utilizada na operação chegou a ser considerada mais vulnerável do que o próprio Air Force One.
A mudança ocorreu após uma cúpula da Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan), em Ancara. Trump foi retirado do avião presidencial e levado, de forma discreta, para uma aeronave militar C-32A. A operação foi realizada dentro do aeroporto, com o presidente sendo transportado em um caminhão de serviço de bordo para evitar que a troca fosse percebida.
A informação foi revelada pelo The Washington Post na segunda-feira (10). De acordo com o jornal, a operação teria sido motivada por uma ameaça de assassinato atribuída ao Irã.
Na época, a Casa Branca não informou que o procedimento havia sido realizado e chegou a declarar publicamente que Trump permanecia a bordo do Air Force One durante o deslocamento para o Reino Unido.
Trump diz que apenas seguiu orientações
Ao comentar o episódio, Trump afirmou que o avião utilizado na operação poderia apresentar um risco ainda maior.
“Na verdade, acho que o avião em que eu voei corria maior risco. Acho que corria maior risco porque esse seria o avião que eles teriam maior probabilidade de atacar”, declarou a jornalistas na Base Conjunta Andrews.
O presidente também afirmou que não recebeu muitos detalhes sobre a ameaça e que apenas seguiu as orientações das autoridades responsáveis por sua segurança.
“Eu só sigo as orientações deles, então me guio pelo Serviço Secreto e pelas Forças Armadas. Acho que havia uma ameaça. Não perguntei muito a respeito. Recebo muitas ameaças”, disse.
Aeronave doada pelo Catar
O avião utilizado durante a cúpula da Otan era um C-32A, modelo baseado no Boeing 757 e utilizado pela Força Aérea dos Estados Unidos para transportar autoridades de alto escalão.
A aeronave havia sido recentemente reformada e doada pelo Catar, realizando sua primeira viagem internacional durante a ocasião.
Jornalistas e funcionários da Casa Branca que acompanhavam a comitiva acreditavam que Trump continuava a bordo do Air Force One durante todo o trajeto.
A operação, portanto, foi mantida em sigilo inclusive para parte das pessoas que acompanhavam oficialmente a viagem presidencial.
Democratas cobram explicações
A revelação provocou reação no Congresso americano. O líder democrata no Senado, Chuck Schumer, criticou o episódio e defendeu que o Congresso seja informado imediatamente caso situações semelhantes envolvendo a segurança presidencial ocorram novamente.
O caso trouxe à tona questionamentos sobre os protocolos de segurança utilizados durante viagens internacionais do presidente e sobre o nível de informação compartilhado com o Congresso em situações que envolvem possíveis ameaças à Presidência dos Estados Unidos.
