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Início Brasil

Hamas “joga a toalha” e se retira de Gaza

Por Junior Melo
06/jul/2026
Em Brasil, Mundo
6.jul.2026 - Ismail al-Thawabta em coletiva que anunciou dissolução do órgão que governa Gaza
Imagem: Eyad Baba/AFP

6.jul.2026 - Ismail al-Thawabta em coletiva que anunciou dissolução do órgão que governa Gaza Imagem: Eyad Baba/AFP

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O Hamas anunciou nesta semana a dissolução do órgão responsável pela administração da Faixa de Gaza durante quase duas décadas. A medida abre caminho para a criação de um comitê encarregado da gestão civil do território.

Segundo o chefe do gabinete de imprensa do Hamas, Ismail al-Thawabta, o responsável pelo Comitê de Emergência Governamental, Mohammed al-Farr, apresentou oficialmente sua renúncia e determinou a dissolução do órgão para facilitar a transição administrativa ao Comitê Nacional para a Administração de Gaza (NCAG).

O NCAG foi criado pelo Conselho de Paz estabelecido pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, durante as negociações que resultaram no cessar-fogo entre Hamas e Israel em outubro de 2025.

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Em nota, o Conselho de Paz afirmou que avaliará os acontecimentos em Gaza “por meio de ações, não de promessas”.

Transição não encerra debate sobre desarmamento

O Hamas controla a Faixa de Gaza desde 2007, quando assumiu o poder após confrontos com o movimento rival Fatah.

Desde o início do cessar-fogo, o grupo vinha sinalizando disposição para deixar a administração do território, mas a questão do desarmamento continua sendo um dos principais impasses nas negociações.

“O Hamas deu um novo passo ao deixar de estar no comando da Faixa de Gaza, com o objetivo de eliminar quaisquer pretextos para a ocupação, que continua a sua agressão e guerra de extermínio”, declarou o porta-voz do grupo, Hazem Qassem.

Segundo um integrante da liderança do Hamas, todas as demais facções palestinas foram informadas da decisão e manifestaram apoio à transição.

O presidente do NCAG, Ali Shaath, afirmou que o comitê está preparado para assumir suas funções assim que houver recursos e condições operacionais suficientes.

Especialistas consideram medida simbólica

Para o cientista político Mkhaimar Abusada, a dissolução do órgão administrativo possui, principalmente, caráter simbólico.

Segundo ele, o principal desafio continua sendo um eventual acordo sobre o desarmamento do Hamas, considerado um dos pontos centrais da segunda fase do cessar-fogo.

A primeira etapa do acordo permitiu a libertação dos últimos reféns israelenses mantidos pelo Hamas em troca de prisioneiros palestinos detidos por Israel.

Já a segunda fase prevê o desarmamento do grupo e a retirada gradual das forças israelenses da Faixa de Gaza. As negociações, porém, permanecem paralisadas há vários meses, enquanto Israel mantém presença militar no território.

O governo israelense descarta o retorno do Hamas ao comando de Gaza, mas também resiste, até o momento, à transferência do controle para a Autoridade Palestina.

As duas partes continuam se acusando mutuamente de violações do cessar-fogo.

Segundo o Ministério da Saúde da Faixa de Gaza, administrado pelo Hamas, 1.072 palestinos morreram no território desde o início da trégua. A Organização das Nações Unidas considera os números da pasta confiáveis. Já o Exército de Israel informa que seis pessoas ligadas às suas forças morreram no mesmo período, sendo cinco soldados e um prestador de serviços.

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