O intenso fluxo de caminhões em direção aos pátios reguladores da Baixada Santista provocou congestionamentos no Sistema Anchieta-Imigrantes (SAI) na manhã desta terça-feira (14). Paralelamente, caminhoneiros autônomos mantêm manifestações na região para pressionar o Senado Federal a votar a Medida Provisória (MP) 1.343, conhecida como MP do Frete. Até o momento, não há confirmação de que os dois fatos estejam diretamente relacionados.
A proposta altera regras da Política Nacional de Pisos Mínimos do Transporte Rodoviário de Cargas e prevê novos benefícios para a categoria. O texto já foi aprovado pela Câmara dos Deputados, mas perderá a validade caso não seja analisado pelo Senado até o dia 16 de julho.
A paralisação dos caminhoneiros começou na segunda-feira (13), no Porto de Santos, e integra um movimento nacional da categoria.
Congestionamentos nas rodovias
Segundo a Ecovias Imigrantes, concessionária responsável pela administração do Sistema Anchieta-Imigrantes, o congestionamento é resultado do grande volume de caminhões que seguem em direção aos pátios reguladores pela Rodovia Cônego Domênico Rangoni.
A empresa informou que adotou medidas operacionais para reduzir os impactos no trânsito e afirmou atuar em conjunto com os órgãos responsáveis pela gestão viária.
Apesar da greve, não há registro de bloqueios promovidos por caminhoneiros nas rodovias da região. Ainda assim, não foi possível confirmar se a longa fila de veículos de carga é consequência da paralisação.
Trechos com lentidão
De acordo com a Ecovias, os principais pontos de congestionamento são:
- Rodovia Anchieta: do km 39,5 ao km 40, no sentido litoral, e do km 12 ao km 10, sentido São Paulo;
- Interligação Planalto: congestionamento no sentido da capital paulista;
- Rodovia Cônego Domênico Rangoni: do km 262 ao km 269, em direção ao Guarujá.
Ecopátio mantém operações
O Ecopátio, localizado às margens da Rodovia Cônego Domênico Rangoni, informou que continua operando normalmente e trabalha atualmente com cerca de 60% de sua capacidade.
Segundo a empresa, não há filas nos acessos ao pátio e foram disponibilizadas vagas adicionais para auxiliar na organização do fluxo logístico durante a paralisação.
O empreendimento informou ainda que atua em conjunto com a Autoridade Portuária de Santos (APS), Polícia Militar Rodoviária, Ecovias e demais pátios da região para minimizar os impactos nas operações.
Transporte coletivo sofre alterações
Em razão do trânsito intenso na Cônego Domênico Rangoni, a BR Mobilidade anunciou mudanças temporárias no itinerário de algumas linhas de ônibus.
As linhas 909, 911, 912, 913, 914, 917 e 945 passaram a operar por desvio provisório pela Avenida 9 de Abril, retornando na altura do Cruzeiro Quinhentista, sem acessar o trecho final do percurso.
A empresa informou que acompanha a situação em tempo real e que a operação será normalizada assim que houver melhora nas condições do trânsito.
Caminhoneiros mantêm mobilização
A paralisação foi convocada pelo Sindicato dos Trabalhadores Rodoviários Autônomos de Bens da Baixada Santista e Vale do Ribeira (Sindicam-Santos), em apoio ao movimento nacional.
Segundo o presidente da entidade, Luciano Santos de Carvalho, mais de 4 mil caminhoneiros autônomos da região aderiram ao protesto.
Nesta terça-feira, representantes da categoria realizaram manifestações na Rua do Adubo, em Guarujá, e na descida do Viaduto da Alemoa, próximo ao Porto de Santos.
A Companhia de Engenharia de Tráfego (CET) informou que, no Viaduto da Alemoa, o trânsito permanecia fluindo normalmente, com agentes posicionados para garantir a segurança e orientar os motoristas.
O que prevê a MP do Frete
A Medida Provisória nº 1.343 altera dispositivos da Política Nacional de Pisos Mínimos do Transporte Rodoviário de Cargas, conhecida como Tabela do Frete, que estabelece os valores mínimos para o transporte de cargas no país.
Embora tenha força de lei desde sua publicação, a MP precisa ser aprovada pelo Congresso Nacional em até 120 dias para continuar em vigor. O prazo para análise pelo Senado termina em 16 de julho.
O presidente da Associação Brasileira de Condutores de Veículos Automotores (Abrava), Wallace Landim, utilizou as redes sociais para convocar a mobilização nacional e pedir que o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), coloque a proposta em votação.
Até a última atualização, o Senado Federal não havia se manifestado sobre o assunto.