Um estágio de foguete abandonado no espaço está em trajetória de colisão com a Lua. O impacto, previsto para 2026, deverá oferecer aos cientistas uma oportunidade inédita de observar em detalhes os efeitos de uma colisão artificial na superfície do satélite natural.
O objeto faz parte de um foguete Falcon 9, da SpaceX, e deve atingir a região da Cratera Einstein, localizada no lado visível da Lua, permitindo que pesquisadores acompanhem o fenômeno em tempo real.
Estágio do Falcon 9 está em rota de impacto
De acordo com um estudo, a colisão está prevista para ocorrer no dia 5 de agosto de 2026. O objeto envolvido é o estágio superior do foguete Falcon 9, identificado como 2025-010D.
A estrutura foi lançada em janeiro de 2025 durante uma missão que colocou dois módulos robóticos privados no espaço. Após concluir sua função e consumir todo o combustível, o estágio permaneceu em órbita até entrar na trajetória que deverá terminar com o impacto na superfície lunar.
O equipamento mede cerca de 12 metros de comprimento, 4 metros de largura e pesa aproximadamente quatro toneladas. A expectativa é de que ele atinja a Lua a uma velocidade próxima de 8.750 km/h.
Impacto deve formar cratera e lançar poeira
Para estimar os efeitos da colisão, pesquisadores utilizaram cálculos desenvolvidos pelo astrônomo Bill Grey, além de simulações baseadas em modelos físicos.
Como o estágio do foguete possui uma estrutura metálica oca, os cientistas acreditam que ele será completamente destruído no momento do impacto, diferentemente de um asteroide compacto, que costuma penetrar mais profundamente na superfície.
As projeções indicam que a colisão poderá provocar:
- A formação de uma cratera entre 20 e 30 metros de diâmetro;
- O lançamento de uma grande nuvem de poeira lunar a vários quilômetros de altura;
- Um clarão visível no instante do impacto;
- Novos dados para aprimorar técnicas de localização de impactos na superfície da Lua.
Observação poderá ser feita do Brasil
Astrônomos profissionais e amadores são incentivados a acompanhar o fenômeno. As imagens registradas poderão contribuir para estudos sobre a dinâmica dos impactos lunares e para o desenvolvimento de novas técnicas de pesquisa.
A previsão é que a colisão aconteça às 3h35 (horário de Brasília). Como ocorrerá no lado visível da Lua, será necessário utilizar equipamentos capazes de gravar vídeos em alta velocidade para registrar o momento do choque.
Segundo o astrônomo Marcelo Zurita, colunista do Olhar Digital, o impacto poderá ser observado do Brasil e deve ocorrer nas proximidades da Cratera Carrol, batizada em referência à missão Artemis 2.
Entre os fenômenos esperados estão “o clarão no momento do impacto” e “a pluma de material expelido”.
Além de proporcionar um raro espetáculo astronômico, a colisão do estágio do Falcon 9 poderá fornecer informações importantes sobre o comportamento da superfície lunar diante do impacto de objetos produzidos pelo ser humano.