A divulgação de sanções aplicadas pelo governo dos Estados Unidos contra dois brasileiros investigados por suposta ligação com o Primeiro Comando da Capital (PCC) pode ter comprometido uma operação da Polícia Federal (PF) que já estava em andamento no Brasil. Segundo delegados ouvidos sob reserva pelo Metrópoles, a exposição antecipada dos investigados dificultou a estratégia montada para localizar e prender o principal alvo da investigação.
Na última quarta-feira (1º), o Departamento do Tesouro dos Estados Unidos anunciou sanções contra Victor Henrique de Oliveira Shimada e Stella Stefanie Nunes Henrique de Oliveira, apontando os dois como envolvidos em um esquema de lavagem de dinheiro ligado à facção criminosa.
Dois dias depois, nesta sexta-feira (3), a Polícia Federal deflagrou a Operação Exchange, que já investigava os suspeitos há vários meses. Os mandados judiciais haviam sido autorizados pela Justiça Federal ainda em junho, mas ainda não tinham sido cumpridos porque os investigadores buscavam identificar o paradeiro exato de Shimada e definir a melhor estratégia para efetuar sua prisão.
De acordo com uma autoridade da PF, a divulgação do nome e da imagem de Shimada pela imprensa após a sanção norte-americana prejudicou o trabalho da corporação.
“A foto dele saiu em tudo o que é jornal. Isso não ajudou muito. O caso é anterior à sanção. Ele não estava no local”, afirmou um delegado ao Metrópoles.
Outra fonte da Polícia Federal afirmou que houve falta de coordenação entre as autoridades brasileiras e o FBI. Segundo o investigador, caso a corporação brasileira tivesse sido informada previamente sobre as sanções, seria possível organizar uma ação conjunta, aumentando as chances de sucesso da operação.
Victor Henrique de Oliveira Shimada é sócio da empresa Victory, investigada por participação no escândalo envolvendo o Corinthians e a casa de apostas Vai de Bet. De acordo com o Departamento do Tesouro dos Estados Unidos, ele seria um “elo fundamental” entre operadores financeiros e integrantes do PCC.
As autoridades norte-americanas também afirmam que Shimada teria movimentado mais de US$ 30 milhões em operações de lavagem de dinheiro realizadas em diversas cidades dos Estados Unidos.
Agora, a Operação Exchange busca aprofundar as investigações sobre o esquema e localizar os envolvidos, enquanto a suposta falta de comunicação entre os órgãos de investigação dos dois países levanta questionamentos sobre a cooperação internacional em casos de combate ao crime organizado transnacional.