O ex-deputado federal Eduardo Bolsonaro (PL-SP) afirmou que a decisão sobre sua permanência no cargo de escrivão da Polícia Federal dependerá de fatores políticos. A declaração foi dada ao Metrópoles após a corporação recomendar sua demissão por abandono de cargo.
Nesta terça-feira (21), a Polícia Federal concluiu o Processo Administrativo Disciplinar (PAD) instaurado contra Eduardo Bolsonaro e encaminhou ao Ministério da Justiça a recomendação de demissão. A palavra final, no entanto, caberá ao ministro da Justiça, Wellington César Lima e Silva.
Ao comentar o caso, Eduardo afirmou não acreditar que o ministro deixará de aplicar a punição, sob o argumento de que isso poderia comprometer sua permanência no governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).
“Eu estou prestes a perder o cargo. Depende de um chamego do ministro da Justiça do Lula, e eu não acho que ele vai aliviar para mim, porque, se ele não me demitir, quem vai ser demitido é ele. Não faz muito o feitio do Lula dar colher de chá para opositores. É uma decisão política. Espero que, cedo ou tarde, a gente viva uma anistia no Brasil”, declarou.
Eduardo Bolsonaro também voltou a afirmar que não pretende retornar ao Brasil neste momento. Segundo ele, caso desembarque no país, acredita que será preso de forma injusta.
“Se eu voltar para o Brasil, vou ser preso de maneira injusta, sem direito à defesa e sem direito ao devido processo legal”, afirmou.
O ex-parlamentar disse que pretende retornar ao Brasil apenas quando considerar que existem condições para isso.
Na segunda-feira (20), Eduardo revelou que obteve o green card, documento que concede residência permanente nos Estados Unidos. Segundo ele, a autorização garante maior segurança jurídica para permanecer e trabalhar no país.
“A residência me dá segurança jurídica e tranquilidade para trabalhar aqui”, afirmou.
Eduardo Bolsonaro vive nos Estados Unidos desde fevereiro de 2025. À época, justificou sua mudança afirmando que buscava refúgio diante do que classifica como perseguição política no Brasil.
A recomendação da Polícia Federal ainda será analisada pelo Ministério da Justiça, que decidirá se acolhe ou não a sugestão de demissão do ex-deputado do cargo de escrivão da corporação.