A decisão do governo de Javier Milei de reduzir tributos na Argentina não deve provocar uma diminuição imediata nos preços de tabela dos veículos produzidos no país vizinho e comercializados no Brasil, como Toyota Hilux, Ford Ranger e outros modelos.
A expectativa é que o benefício tributário seja utilizado pelas montadoras de outras formas, como a oferta de bônus de fábrica, campanhas promocionais, melhores condições para troca por veículo usado, taxas de financiamento reduzidas, descontos para empresas e frotistas ou ações voltadas para modelos com maior volume em estoque.
Segundo o consultor automotivo Kalume, as fabricantes têm, em linhas gerais, duas alternativas. A primeira é aproveitar a redução dos impostos para ampliar incentivos comerciais em veículos produzidos na Argentina, especialmente aqueles que enfrentam maior concorrência ou possuem estoques elevados. A segunda possibilidade é utilizar essa economia para aumentar a margem de lucro, sem repassar o benefício diretamente ao consumidor.
“Queda no preço de lista não vislumbro, mas observo uma margem para aplicações de incentivos; apenas isto”, afirmou o consultor.
Na prática, há uma diferença importante entre reduzir o preço oficial de um veículo e oferecer incentivos temporários. Enquanto a diminuição do valor de tabela altera o posicionamento do modelo no mercado, ações promocionais podem ser limitadas por período, região, versão do veículo ou perfil do comprador.
Por isso, a tendência é que os efeitos da redução tributária sejam percebidos principalmente por meio de campanhas comerciais, e não por uma redução permanente nos preços.
Procuradas pelo UOL Carros, as montadoras Ford, Toyota, Volkswagen e Fiat foram questionadas sobre possíveis impactos da medida nos valores dos veículos vendidos no Brasil. Até o momento, nenhuma das empresas comentou a mudança na tributação argentina.
