Quem compra um carro chinês recém-lançado no Brasil pode descobrir, poucos meses depois, que o mesmo modelo já recebeu uma nova versão em seu país de origem. A rápida evolução tecnológica das montadoras chinesas tem reduzido drasticamente o ciclo de atualização dos veículos e mudado a dinâmica do mercado automotivo.
Enquanto no Brasil um automóvel costuma permanecer praticamente inalterado por cerca de sete anos — com uma reestilização na metade desse período —, na China as atualizações acontecem em ritmo semelhante ao da indústria de smartphones.
Atualizações frequentes aceleram mudanças
As novidades vão muito além do visual. Fabricantes chinesas têm lançado melhorias constantes em baterias, autonomia, sistemas de assistência ao motorista, sensores, softwares, centrais multimídia e até no design externo dos veículos.
Na prática, um carro considerado lançamento no Brasil pode já estar tecnicamente defasado em relação ao modelo vendido na China poucos meses depois.
Segundo o consultor automotivo Milad Kalume, essa rapidez faz parte de uma nova estratégia adotada pelas montadoras chinesas.
“É uma mudança estrutural na forma como os chineses desenvolvem e comercializam seus veículos”, afirma.
Brasil dificilmente acompanhará o mesmo ritmo
Especialistas avaliam que o mercado brasileiro não possui escala suficiente para receber todas as atualizações lançadas na China.
Isso ocorre porque cada nova versão exige processos de adaptação, homologação e investimentos que elevam os custos das fabricantes.
Na avaliação de Kalume, a tendência é que as marcas chinesas passem a adotar no Brasil uma estratégia semelhante à das montadoras tradicionais, atualizando apenas parte das gerações dos modelos.
“Se for para apostar, atualizaremos os produtos ciclo sim, ciclo não. Outra possibilidade é permanecermos uma geração atrás”, explica.
Desafio para consumidores
O cenário representa um desafio para quem busca um veículo com tecnologia de ponta.
Embora os modelos chineses continuem oferecendo boa relação entre preço e equipamentos, a velocidade das mudanças faz com que novas versões surjam rapidamente, reduzindo a sensação de novidade do veículo recém-adquirido.
Mesmo assim, especialistas avaliam que a tendência é de que a indústria automobilística mundial passe, gradualmente, a seguir um ritmo de atualização cada vez mais próximo do observado atualmente na China.