O ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), concedeu nesta sexta-feira (10) liberdade provisória ao ex-prefeito de Belford Roxo e pré-candidato ao Senado pelo União Brasil, Márcio Canella.
Preso em flagrante durante a sexta fase da Operação Unha e Carne, da Polícia Federal (PF), Canella responderá à investigação em liberdade, desde que cumpra uma série de medidas cautelares impostas pelo Supremo.
Entre as determinações estão o uso de tornozeleira eletrônica, recolhimento domiciliar no período noturno e nos fins de semana, além do comparecimento periódico à Justiça.
Prisão ocorreu durante operação da Polícia Federal
Canella foi preso na última terça-feira (7), durante o cumprimento de um mandado de busca e apreensão.
Segundo a Polícia Federal, um fuzil foi encontrado em um veículo de propriedade do ex-prefeito, o que resultou na prisão em flagrante por posse de arma de fogo de uso restrito.
Após a audiência de custódia, ele foi encaminhado ao Presídio Pedrolino Werling de Oliveira, conhecido como Bangu 8, no Complexo de Gericinó, no Rio de Janeiro.
Defesa afirma que arma pertence a policial
Na decisão, Alexandre de Moraes afirmou que ainda existem dúvidas sobre a posse do fuzil apreendido.
A defesa de Canella sustenta que a arma pertence ao policial militar Alexandre Paixão da Silva Júnior, responsável pela escolta do ex-prefeito. Segundo os autos, essa versão foi confirmada pelo próprio policial durante a diligência realizada pela PF.
Investigação apura movimentação bilionária
A Operação Unha e Carne investiga uma suposta organização criminosa suspeita de lavar dinheiro por meio de uma rede de postos de combustíveis.
As investigações tiveram início após um Relatório de Inteligência Financeira (RIF) do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf), que identificou movimentações de aproximadamente R$ 8 bilhões ao longo de seis anos.
Outras medidas determinadas por Moraes
O ministro também concedeu liberdade provisória ao policial militar Antônio Gomes da Silva Neto, preso na mesma operação.
Além do uso de tornozeleira eletrônica, Moraes determinou a suspensão imediata de eventuais portes de arma e certificados de registro em nome dos investigados.
A decisão ainda estabelece que a Polícia Militar do Estado do Rio de Janeiro apresente, em até cinco dias, esclarecimentos sobre as armas apreendidas e a situação funcional dos policiais envolvidos.
O ministro advertiu que o descumprimento das medidas cautelares poderá resultar na decretação da prisão preventiva dos investigados.