A campanha do senador e pré-candidato à Presidência, Flávio Bolsonaro (PL-RJ), acionou o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) para pedir a abertura de uma investigação sobre uma suposta rede de perfis falsos utilizada para impulsionar ataques contra o parlamentar e outros políticos de direita nas redes sociais.
Na tarde desta segunda-feira (20), o coordenador da campanha, senador Rogério Marinho (PL-RN), reuniu-se com o presidente do TSE, ministro Kassio Nunes Marques, para solicitar a concessão de uma liminar que permita identificar os responsáveis pela operação.
Segundo informações divulgadas por O Globo, sete páginas no Facebook e no Instagram, com menos de 400 seguidores e sem identificação de seus administradores, investiram mais de R$ 1,1 milhão em apenas dois meses para impulsionar publicações contra Flávio Bolsonaro e o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos). A campanha ocorreu durante a repercussão da relação do senador com o banqueiro Daniel Vorcaro e em meio à aproximação de Flávio de Lula nas pesquisas de intenção de voto.
Estrutura semelhante também teria sido utilizada contra o governador de Santa Catarina, Jorginho Mello (PL). Três páginas investiram R$ 487 mil em três meses para divulgar conteúdos críticos ao governador, que também é pré-candidato à reeleição.
Além de Rogério Marinho, participaram da reunião o advogado do PL, Marcelo Bessa, e a advogada Maria Claudia Bucchianeri, integrante da equipe jurídica da pré-campanha e responsável pela representação protocolada na última sexta-feira.
Segundo Marinho, o pedido busca acelerar a análise do caso devido à rapidez com que esses perfis seriam criados e posteriormente apagados.
— “O que viemos fazer hoje foi justamente conversar com o presidente para verificar se, nesse recesso, seja concedida uma medida liminar para que a investigação aconteça e nós possamos identificar quem financia e quais são os interesses por trás desse comportamento criminoso nas redes sociais” — afirmou.
A campanha pede ao TSE a preservação das provas e a identificação dos responsáveis pelos pagamentos dos impulsionamentos. De acordo com Marinho, Kassio Nunes Marques ouviu os argumentos e informou que analisará o pedido de liminar.
Maria Claudia Bucchianeri afirmou que o comportamento dos perfis chamou a atenção da equipe jurídica, que realizou um levantamento manual.
— “Aquilo que em 2022 a gente chamava de milícia digital virou menor infrator perto dessa estrutura. Eu não estou falando de robô, eu não estou falando de fazenda de telefone. Estou falando de um volume importante de pessoas que conseguem CPF falso, criam contas, obtêm meios de pagamento e depois apagam os perfis para não deixar rastro.”
Segundo a advogada, os perfis apresentam características semelhantes, como a repetição de DDDs — especialmente o código 41 — e pagamentos realizados em diferentes moedas, incluindo reais, dólares e pesos colombianos.
A ação foi apresentada como uma representação, e não como uma Ação de Investigação Judicial Eleitoral (AIJE), já que os registros de candidatura ainda não foram formalizados.
Bucchianeri afirmou que, neste momento, a campanha não atribui responsabilidade a partidos, candidatos ou pessoas específicas.