Os primeiros impactos do super El Niño já começaram a ser registrados no Brasil. Nesta semana, o Rio Grande do Sul enfrentou temporais que provocaram estragos em 143 municípios, com volumes elevados de chuva, ventos fortes e episódios de granizo.
Os efeitos do fenômeno passaram a ficar mais evidentes na segunda quinzena de julho, após o El Niño entrar oficialmente em uma nova fase na última quinta-feira (16).
Novas projeções, reforçadas pelo Instituto Internacional de Pesquisa para Clima e Sociedade (IRI), da Universidade de Columbia, indicam que o aquecimento das águas do Oceano Pacífico poderá alcançar 3,1°C até o fim de 2026.
Rio Grande do Sul registra os primeiros impactos
Os primeiros reflexos do super El Niño ocorreram após a formação de um intenso rio atmosférico que atingiu o Chile, provocando fortes chuvas, ventos intensos, alagamentos e danos em diversas regiões do país. O sistema também influenciou as condições meteorológicas no Sul do Brasil.
Segundo o meteorologista Piter Scheuer, o fenômeno já começa a alterar o comportamento do clima brasileiro.
“O El Niño começou em maio, mas cada vez vai ficando mais frequente”, afirma.
De acordo com o especialista, apenas nas últimas 24 horas algumas áreas do Rio Grande do Sul registraram acumulados superiores a 200 milímetros de chuva.
“Vai ter momentos em que essas chuvas vão ficar muito frequentes, com temporais e tempestades mais ativos e organizados, principalmente para o oeste da região Sul do Brasil, com granizo e até tornados”, alerta Scheuer.
O meteorologista ressalta que os impactos não ocorrem de forma uniforme em todo o país.
“Não é algo que é generalizado, é algo que é pontual”, explica.
Como exemplo, ele cita que os eventos extremos podem atingir diferentes regiões em momentos distintos.
“Vai ter momento em que os impactos vão acontecer no Oeste gaúcho. Mas terão momentos em que vão acontecer no Vale do Itajaí e no litoral norte de Santa Catarina”, acrescenta.
Temperaturas podem chegar aos 40°C
Além das chuvas intensas no Sul, o super El Niño também favorece a formação de ondas de calor em outras regiões do país.
Ao longo desta semana, as temperaturas poderão alcançar até 40°C em praticamente toda a Região Centro-Oeste e em grande parte da Região Norte.
As previsões indicam que o calor deverá se intensificar nos próximos dias, especialmente entre Goiás, Mato Grosso do Sul e o sul de Mato Grosso.
Segundo a Meteored, um dos efeitos característicos do El Niño é justamente o aumento das temperaturas médias e a ocorrência de ondas de calor mais intensas sobre as regiões Sul, Sudeste e parte do Centro-Oeste.
Ao mesmo tempo, a redução das chuvas em algumas áreas favorece períodos prolongados de seca, principalmente no Norte e no Centro-Oeste.
Esse cenário também aumenta o risco de incêndios florestais na Amazônia e no Pantanal. De acordo com o Greenpeace, o problema pode ser agravado pelo uso criminoso do fogo.
Fenômeno pode atingir intensidade histórica
As projeções climáticas apontam que o atual super El Niño poderá se tornar o mais intenso registrado nos últimos 150 anos.
A expectativa é que o fenômeno alcance seu pico entre os meses de outubro e dezembro de 2026, atingindo a categoria classificada como “muito forte”.
Segundo o Centro de Previsão Climática da NOAA (Administração Nacional Oceânica e Atmosférica dos Estados Unidos), existe 81% de probabilidade de o fenômeno atingir essa classificação, considerada a mais elevada.
Historicamente, o El Niño de 1997-1998 registrou aquecimento de aproximadamente 2,3°C nas águas do Oceano Pacífico e provocou eventos climáticos extremos em diferentes partes do planeta.
Já o episódio de 2023-2024, que apresentou aquecimento de cerca de 2,1°C, foi associado às chuvas intensas e às enchentes históricas que atingiram o Sul do Brasil.
Caso as projeções se confirmem, especialistas alertam que o atual episódio poderá provocar impactos ainda mais significativos nos próximos meses, tanto em relação às chuvas intensas quanto às ondas de calor e aos períodos de seca em diferentes regiões do país.