A ONG Portas Abertas denunciou um agravamento da perseguição religiosa contra cristãos na Nicarágua, em meio ao fortalecimento do controle exercido pelo governo do presidente Daniel Ortega sobre instituições consideradas críticas ao regime.
Segundo a entidade, além das restrições impostas a igrejas e organizações religiosas, o governo passou a limitar a entrada de Bíblias por vias terrestres. A medida, de acordo com a ONG, faz parte de um conjunto de ações que intensificaram a perseguição aos cristãos desde 2018.
Restrições atingem igrejas e organizações cristãs
A Nicarágua ocupa a 32ª posição na Lista Mundial da Perseguição 2026, ranking elaborado anualmente pela Portas Abertas que reúne os 50 países onde os cristãos enfrentam maior nível de perseguição.
De acordo com a organização, o agravamento da situação está relacionado ao aumento do controle estatal sobre instituições independentes ou que manifestam críticas ao governo.
“O agravamento da situação está diretamente relacionado ao fortalecimento do controle estatal sobre instituições consideradas independentes ou críticas ao governo”, afirma a ONG.
Segundo a Portas Abertas, cristãos que denunciam violações de direitos humanos ou se posicionam publicamente contra o regime têm sido alvo de intimidações, perseguições e até detenções.
A entidade também afirma que igrejas, escolas cristãs e organizações de assistência social passaram a enfrentar restrições em suas atividades.
“Igrejas, escolas cristãs e organizações de assistência social têm sido vistas pelas autoridades como potenciais ameaças à estabilidade do regime, resultando em restrições de atividades, confisco de bens e fechamento de instituições”, diz a Portas Abertas.
Ainda conforme a organização, o ambiente de vigilância tem levado muitas comunidades religiosas a reduzir sua exposição pública.
“Especialistas observam que o ambiente de vigilância e autocensura tem levado muitas igrejas a exercerem suas atividades com maior discrição, diante do receio de represálias”, conclui a organização.
Ortega afirma que país não terá novas eleições
As denúncias da ONG ocorrem poucos dias após Daniel Ortega declarar que a Nicarágua não realizará novas eleições.
“Esqueçam! Não haverá mais eleições aqui para que eles possam tentar tomar o governo, tomar o poder”, disse o presidente durante discurso na semana passada.
Na mesma declaração, Ortega criticou a atuação dos Estados Unidos na política nicaraguense.
“Não importa quanto dinheiro os ianques deem, eles não conseguirão”, afirmou.
O presidente não detalhou qual base legal sustentaria a medida, mas informou que pretende atuar junto à Assembleia Nacional para impedir o funcionamento de partidos que, segundo ele, recebem apoio financeiro dos Estados Unidos.
Nos últimos anos, organismos internacionais e opositores têm questionado a transparência do processo eleitoral na Nicarágua. Acusações de irregularidades acompanham as eleições desde 2008, e, em 2021, diversos pré-candidatos à Presidência foram presos antes da votação.
Atualmente, parte dos principais líderes da oposição vive no exílio ou perdeu a nacionalidade nicaraguense após decisões adotadas pelo governo, que classificou esses opositores como “traidores da pátria”.